Votimim porque eu sou mais bonito.
Votimim porque eu sou mais charmoso.
Votimim porque eu sou mais honesta.
Votimim porque eu sou famoso pra caramba.
Votimim porque eu sou contra “tudo o que aí está”.
Votimim porque eu cumprimento todo mundo quando passo pelas ruas.
Votimim porque eu já sou rico e não preciso do seu dinheiro pra nada.
Votimim porque eu vou te dar um milheiro de tijolo depois prometo não te pedir mais nada pro quatro anos consecutivos.
Votimim porque eu tou bombando nas mídias sociais.
Votimim porque eu vou pegar o dinheiro que eu tiro da sua família pra comprar uma ambulância novinha com minha cara adesivada na porta.
Votimim porque eu sou patroa do amigo do vizinho do teu colega de trabalho.
Votimim porque eu tou pedindo direitinho.
Votimim porque somos irmãos de (cruz) credo.
Votimim porque eu fiz uma rima bacana nos 7 segundos que o partido me concedeu no programa da televisão.
Votimim porque você tá fraco de opção.
Votimim por qualquer outro motivo.
E volte pra casa sorrindo, abra sua cerveja, ligue a televisão e acredite piamente que este é o máximo de democracia a que se pode chegar.
Deixa eu ver se eu entendo.
Vamos fazer de conta que não sabemos quem são as pessoas.
Uma é candidata à presidência está hoje na liderança de todas as pesquisas, com prognóstico de ganhar as eleições no primeiro turno. Trata-se, importante lembrar, que é a preferida do atual presidente, que tem aprovação superior a 80% e elevou todos os indicadores sociais do país muitas vezes mais que seus antecessores nas últimas dezenas de anos. Vamos chamá-la apenas de “candidata”.
Outro é candidato à presidência, contra ela. Já foi candidato antes. E perdeu. Perdeu inclusive uma vez quando não conseguiu nem sair candidato pelo seu partido. Esse vem caindo pesquisa após pesquisa, sempre e constantemente, desde que pesquisas são feitas. Trata-se, importante lembrar, do candidato preferido pelas maiores empresas de comunicação do país, que inclusive já se pronunciaram pública (mas não oficialmente) contra o presidente bem-aprovado supracitado. Vamos chamá-lo apenas de “candidato’.
Essa semana todos os meios de comunicação do país estão nos informando sobre uma coisa muito interessante.
Um contador diz que fez uma maracutaia para, junto à Receita Federal, quebrar o sigilo fiscal de 140 pessoas. Entre elas, 5 diretamente ligadas ao “candidato”.
O contador diz não saber quem foi a pessoa que o mandou fazer isso. Mas garante que foi alguém que quer prejudicar o “candidato”.
Aparentemente, ele não diz, mas nas entrelinhas a gente fica querendo acreditar que quem mandou foi gente ligada à “candidata”.
Então a “candidata” que cresce a cada pesquisa encomendou uma maracutaia trapacística fiscal para obter informações para que possa usar contra o “candidato” que cai a cada pesquisa?
Vocês me desculpem, mas eu não entendo nada nem de política nem de futebol.
Em tempo: o bodegueiro vai votar em Plínio de Arruda (Psol), por ter sido o único candidato que abertamente coloca-se a favor da descriminalização da maconha, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, da legalização do aborto e do controle social dos meios de comunicação.
A nata da elite da fina flor do pensamento crítico, literário e maloqueirístico do Recife se reúne logo mais, nesta quarta-feira (01/09) para mais uma edição do projeto Engolindo Sapos. Tratam-se de papos com figuras que fazem e pensam a arte nesses tempos de contemporaneidade contemporânea.
Nesta terceira edição, fecha-se a trilogia do tema “Os contemporâneos e suas misturas – experiências e experimentos”. O evento é realizado pela Produtora Nós Pós e tem acontecido sempre no Espaço Pasárgada (Rua da União, 263 – Boa Vista), às 19h30.
O bate papo desta vez será com Marcelo Sena (da companhia de dança Cia. Etc.), com a doutora em literatura Renata Pimentel e com Marco Polo (ex-Ave Sangria e hoje editor da revista Continete Multicultural).
O projeto tem apoio da Fundarpe, UBE-PE, site Vetor Cultural e DFeijó Fotografia.
Pra ver o cartaz todinho, clique nele.
Fui lá na rua e vi um monte de gente.
Que caminhava absorta como gado em direção ao matadouro.
Que pulava buracos, saltava sacos de lixo com o automatismo dos jogos eletrônicos.
Todos os dias os mesmos buracos, os mesmos sacos, as mesmas ruas. Vídeogame, fase um. Fase dois. Fase três.
Na fase quatro, painéis com rostos sorridentes de candidatos e candidatas brotavam no asfalto, aumentando o grau de dificuldade e mudando em absolutamente nada o enfado de quem os desvia.
O relógio dizia que eram 8h11 da manhã e grupinhos se reuniam em volta da carrocinha de cachorro-quente para comer maionese misturada com coca-cola. A dose diária de açúcar com óleo iria alimentaria a apatia por mais alguns momentos.
Olhos e bocas denunciavam um trajeto quase automático, sem bondias e comovais.
Num único sinal de alegria, um senhor de camisa abotoada enchia a boca de cuscuz com molho sentado na calçada de um pega-bebo. Olhou para o garçon-dono-faxineiro e soltou, como que num desabafo: “Como Deus é bom!”
A esquina tinha cheiro de monóxido de carbono misturado com coxinha de galinha.
Em mais um dia de quarta.
Já faz mais de doze meses que o pai e a mãe da menina de três anos não moram mais juntos.
Ela entende, lida bem com a história toda.
Ou faz que entende, faz que lida bem com a história toda.
Sabe que tem duas casas, dois quartos, duas camas. Que convive com maneiras nem tão parecidas (e nem tão diferentes) de ver o mundo, até que crie sua própria.
De vez em quando pergunta: “papai, tu ainda vai namorar com mamãe?”, e faz beicinho com a resposta negativa.
“Mas padrinho namora com madrinha. Por quê?”
Quer saber porque alguns papais moram com mamães e outros papais não.
Aos poucos, vai entendendo que existem papais sozinhos, mamães sozinhas, papais que (na)moram com titios ou titias. Mamãe que (na)moram com titios ou titias.
Esses dias, estava ela brincando com uma amiguinha de mesma idade.
O papai e a mamãe da amiguinha, casados, tomavam uma cerveja e conversavam alegremente, antes de serem interpelados.
“Vocês são casados?”
“Sim”, responderam os dois, em uníssono-de-surpresa.
“Moram na mesma casa?
“Sim, moramos”.
“E quando é que vão se separar?”
Fazia tempo que eu não era chamado pra falar sobre tevê digital.
Verdade que não costumo ser o primeiro da lista para elencar as vantagens do tal padrão nipo-brasileiro.
Durante a Copa do Mundo, vi não-sei-onde uma transmissão em alta definição. Achei fantástico aquilo ali.
Antes e depois do fiasco da selecinha no Mundial, porém, parece que não faz tanta diferença assim a nitidez da imagem ou a quantidade de linhas de resolução.
Se na sua cidade o tal sistema digital já está funcionando, por favor me desminta . Ou é verdade que, caso tenha comprado uma tevê com conversor embutido ou um set top box, você não ganhou nenhum canalzinho a mais? Que tem usado sua tecnologia de ponta apenas para ver melhor a maquiagem do artista da novela ou a nitidez do buraco no gramado do Maracanã?
Enquanto isso, quanto tempo você tem passado na frente da televisão?
E quanto tempo passa aqui, nesse computador. Ou mesmo aqui, nesse telefone celular. Ou nesse tablet? Escolhendo a qualidade, o horário e o conteúdo que quer ver na sua telinha?
Pra dar uma sacudida nessa discussão foi que me chamaram para participar do seminário “TV Digital: desafios e perspectivas”, que começa às 15h dessa segunda-feira, na Universidade Católica de Pernambuco (bloco A, sala 510).
Depois da primeira mesa, que conta comigo e com os professores Juliano Domingues e Alexandre Figueiroa, tem outra falando mais das transformações no telejornalismo, com as também professoras Lívia Cirne e Yvana Fechine. Quem media é o professor Cláudio Bezerra.
Pra saber mais, vá aqui no Ombuds PE.