televisao voandoEsperando o sono chegar, estava assistindo a TV por assinatura no Hotel St Peter, onde me hospedei durante a Conferência Nacional de Comunicação, em Brasília.

Aí entrou uma propaganda. Um homem mais ou menos elegante, mais ou menos simpático. Falava pela ABPTA. Dizia que a gente tinha que defender a liberdade na televisão. Que a gente (ele chamou a gente de “consumidor”, paga pela tv por assinatura e deveria ter o direito de escolher o que quer assistir.

O homem mais ou menos simpático e elegante estava baixando a lenha no chamado PL 29, um projeto de lei que pretende regulamentar o ‘mercado’ de televisão por assinatura.

Ele tava convidando todo mundo a entrar num site chamado “Liberdade na TV” e subscrever um abaixo assinado contra o projeto.

O que eles mais apedrejavam era a intenção de o projeto estabelecer uma política de cotas para a produção nacional na tevê por assinatura.

E eu achei tudo isso, assim, engraçado.

Primeiro porque a ABPTA quer dizer “Associação Brasileira dos Programadores de Televisão por Assinatura” mas, de acordo com o próprio site deles, só representa canais de televisão gringos.

Também porque, quando vi o anúncio, estava em curso a I Confecom, um espaço legítimo de debate sobre as políticas de comunicação. Entre elas a TV a Cabo. E a ABPTA não estava presente. Porque não quis. A ABTA (pareceira deles), também não foi.

Também porque eles falam de “liberdade para o assinante”, mas se eu quiser somente comprar só o Telecine e o Sportv eu não posso. Se eu quiser ver os filmes que passaram nas últimas cinco versões do Cine PE, também não posso. Se eu quiser ver as peladas do Campeonato Pernambucano, também não posso. Se eu quiser ver os filmes que o pessoal do projeto Vídeo nas Aldeias tem feito ao longo dos anos, também não posso.

Então eu fico assim, meio sem entender o que eles querem dizer com essa “liberdade” toda.