zedomestreCom quase 80 anos de idade nas costas, o artesão Zé do Mestre é uma das maiores referências da arte do couro em todo o Sertão. No sítio onde vive até hoje, na zona rural de Salgueiro, suas mãos habilidosas ainda desfilam pelas peças confeccionando chapéus e gibões como o que Luís Gonzaga tornou famoso.

Os visitantes, recebe sempre com um sorriso imenso e olhos brilhantes. Oferece assento e começa a contar suas histórias, como a da pedra que “plantou” em seu quintal e que cresce como planta. “Só não tenho mais sementes”.

Ao reparar nos quilos a mais de uma moça, sorri e conta do passado nada feliz.

“Minha filha, eu nasci no ano em que mais se morreu gente por conta da fome. Naquele tempo era a década de trinta e por aqui todo mundo era magrinho. Magrinho magrinho mesmo. Naquele tempo, só tinha dois tipos de gente: os que não tinham comida e os que passavam fome. Também não tinha estrada e a picada da miséria passava aqui pertinho. A gente via a carestia passar aqui mesmo, na porta do sítio, com as crianças magrinhas e o monte de caveira que ia ficando no meio do caminho.”

E continua, muda a expressão para mostrar seu contentamento:

“Agora eu chega fico emocionado. Dia desses fui na venda e vi uma menina no meio do caminho. Ela chega vinha rechonchuda, desse tamanho. Perguntei a idade dela. Ela fez ’17 anos’. Perguntei o peso. Ela disse ’126′. Veja que coisa linda, né, minha filha? Uma menina de 17 anos de idade, já com 126 quilos. Me diga se isso aqui hoje em dia não está uma beleza?!!”

** A bela foto do mestre é cortesia da querida amiga e companheira de viagem Daniela Nader.