Kennedy estava no elevador, como em todos os dias. Chegava com o pão quentinho depois de ter deixado o filho na escola. Prédio daqueles bonitos, com sofá e espelho no hall de entrada.

Como em poucos dias, aquela senhora também estava. Trabalhava no mesmo prédio, fazendo os arrumados e cozinhados de uma vizinha. Chegava para mais um dia de trabalho entre panelas, lençóis, máquina de lavar e fogão.

Meu amigo soltou-lhe uma bomba:

“Bom dia!”, sorrindo.

A moça assustou-se. Quase não entendeu. Quase.

“Esse é o primeiro ‘bom dia’ que escuto desde que vim trabalhar aqui. Desculpe, moço. Eu também parei de dar ‘bom dia’ porque sempre que faço isso aqui ninguém responde”.

Naquela hora, Kennedy fez uma resolução. Ligaria a máquina de ‘bom dia’ sempre, onde quer que existisse. É de graça, não tem contraindicação e ainda faz um bem danado.

Aos dois.