Estou num seminário muito bacana, promovido pelo Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico e Social de Pernambuco (Cedes) do qual por acaso faço parte.

O tema do seminário é “O Brasil e a crise: uma agenda para Pernambuco”.

A mesa foi montada logo cedo, com a presença do governador, secretários, um deputado, alguns integrantes do Cedes e convidados especiais.

São, ao todo, 13 pessoas. Todos, por acaso, homens brancos. Onze usam terno.

Não, eu não acho que haja um complô contra mulheres, negros, índios e homens que não usam terno.

Mas acho essa falta de diversidade uma coisa emblemática, significativa.

As falas são boas, típicas de gente muito sabida. Explicam a crise, o prime, o subprime, falam de déficit, superávit.

Em sua maioria, a turma é otimista. Mas é bom dizer que muitos são explicitamente acadêmicos simpáticos ao que a gente costuma chamar de “esquerda” ou correligionários políticos do governo federal. Então podem ser considerados suspeitos.

Pessoalmente, gosto de trechos de opiniões favoráveis ao fortalecimento da pequena economia, à redução dos juros, ao aumento dos investimentos pelo poder público, à atenção a novas indústrias – como a de tecnologia.

Um punhado de jornalistas estão cobrindo o evento. Como o governador tá aqui, muitos estão ouvindo tudo e anotando. De vez em quando saem para tomar um cafezinho e – possivelmente – decidir a manchete do dia seguinte.

Um garçon formalmente vestido vai à mesa principal e, esporadicamente, serve água e café para os falantes senhores.

Na média, apenas um ou dois agradecem com palavras ou gestos.

Tá aí uma pequena crise.