Um momento legal da Feira Literária foi já no finzinho.

Os professores-compositores-artistas paulistas José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski deram uma aula-show sobre as relações da música brasileira.

Um tem uma voz gostosa, leve. Canta composições suas e outras. Explica as coisas, conversa. Outro dedilha o violão como se estivesse no terraço de casa.

Na , mostraram uma canção que Wisnik fez para a peça “A Serpente”, de Nélson Rodrigues.

No teatro, uma personagem diz que “O homem deseja sem amor,a mulher deseja sem amar”.

Na música, os primeiros versos são “O homem ama por amar, a mulher ama por amor”.

Pequenos protestos na ala feminina da platéia.

Depois, emenda “Pecado Capital”, que Caetano Veloso fez para o filme “A dama do lotação”, também baseado no universo rodrigueano.

A canção (que você pode ouvir apertando esse pitoco no final do texto) termina com os versos:

“Todo homem sabe que essa fome/É mesmo grande/Até maior que o medo de morrer
Mas a gente nunca sabe mesmo/ Que que quer uma mulher”

Aí uma moça quis ser cabeça.

Levantou o dedo, pediu a palavra e disse como se estivesse descoberto a origem do mundo.

“A mulher é como o oceano profundo. Ninguém sabe o que pode esconder”.

Atrás de mim, uma senhorinha não se conteve e sussurrou quase no meu ouvido:

“Pronto… A mulher agora é o pré-sal…”

Caetano Veloso – Pecado Original