A maior atração do SBT é uma menina de seis anos.
Uma menina que ainda não teve vida, só carreira.
Que trabalha desde que aprendeu a falar.
Que não pode brincar na rua, passear tranquila, ir ao cinema com os pais, brincar no parque.
Uma menina realmente especial. Sabida, sapeca, simpática. De sorriso lindo e perspicácia incomuns para a sua idade.
Mas, antes de tudo, uma menina.
De seis anos de idade.
E que, antes mesmo de rabiscar as primeiras letras, já é uma das maiores celebridades do Brasil hoje.
Que lida com jornalistas, contratos, autógrafos e os friquefriques do showbiz antes de aprender a andar de bicicleta.
De quem a infância tem sido alegremente roubada. Com a complacência da família, das autoridades e de toda a sociedade.
“Os fãs a adoram”, dizem os ‘ispecialixtas’ na telinha. Afinal de conta, a menina de seis anos é tida como a grande responsável pela recuperação de um punhado de pontos de audiência aos domingos na emissora de Silvio Santos.
Agora, ao menos por um par de vezes, a menina deixa claro que não é um robozinho. Num dia fugiu com medo de uma fantasia de monstro. No outro, sai chorando depois de ser provocada pelo apresentador mais antigo do Brasil.
Nada mais normal. Afinal de contas, trata-se de uma criança de seis anos. E assim agem as crianças de seis anos, ainda começando a compreender o mundo.
Choram, gritam, têm medo de máscaras, do escuro, de assombração, de ficar de castigo.
Ou de ter que trabalhar todos os domingos.
Se realmente alguém gosta mesmo dessa menina – e eu acredito que muita gente goste – é preciso salvar a sua infância.
Representar junto ao Ministério Público, acionar os Conselhos de direitos da Criança e do Adolescente (municipal, estadual e nacinoal), provocar o juizado da infância e da adolescência, a delegacia especializada e todo o aparelho do estado que tem o dever a competência para tirar essa menina do ar.
Sua permanência em rede nacional não é só prejudicial à menina em questão. É também um incentivo para que pais e mães desinformados em todo o país façam das tripas coração para que suas pequenas pimpolhas possam também brilhar na televisão. Seja incentivando apresentações ‘artísticas’ em programas de calouros, vestindo com roupas minúsculas ou submetendo a exaustivos ensaios de coreografias das músicas da moda.
Há quem diga que, incentivando a “carreira artística”, pais, mães e sociedade estão apoiando a criança a “fazer o que gosta”, o que nem sempre é verdade.
Quando é, basta imaginar que para dançar, cantar e brincar não se precisa necessariamente estar diante de câmeras de televisão.
Rosely
19 de May de 2009 às 10:39 am
Tirem essa criança do ar!!!
j.
19 de May de 2009 às 11:17 am
a família dessa pequena deve ser a primeira a concordar com a exploração. Casa bonita, tv enorme…
Lembram do cantorzinho mirim francês Jordi? Daquela música Alisson…
Depois de virar febre mundial e perder completamente a infância, eu soube que o menino é hoje um adolescente depressivo. Completamente abestalhado, cheio de espinha na cara e sem comer ninguém. Olha aí…
Rizete
19 de May de 2009 às 11:40 am
Acredito que é fundamental se articular com todos os orgaos de proteção a criança e ao adolescente, pois essa criança vive um mundo de fantasia. fico imaginando o que o SBT ira fazer com ela quando a mesma completar uma idade maior e perder o encanto. ela pode inclusive desencadear um processo de depressao pos fim da fama…Lugar de criança nao é trabalhando, isso que ela faz também trabalho infantil…precisamos ficar atento a isso. A proteçao as crianças e adolescentes nao esta reservado para uma unica parcela da sociedade nao. Vamos ficar atentos a essas questões.
Hugo Pereira
19 de May de 2009 às 1:02 pm
A importância dada a certos programas de televisão que visam, unicamente, pontos de audiência, patrocinadores e remuneração, deixa de lado a formação de pessoas e crianças. Quem necessita de ajuda, além da pobre menina, inocente, porém inteligente para sua idade, é seus pais, afinal quem permite que este tipo de exploração seja feita, são eles. Assim como no SBT, outras crianças, mais velhas ou mais novas, também são lançadas, com o intuito de “tirar vantagem”, no Raúl Gil (Band), na Tv Xuxa (da toda poderosa, Globo). A conscientização dessas pessoas é perdida, só judicialmente é que alguma coisa poderá ser alcançada.
carlos azevedo
19 de May de 2009 às 2:21 pm
Escrevi coisa semelhante no meu blogue:
Alice na periferia do capitalismo
*Carlos Azevedo
-“Quem quer dinheirooooo?! Quem quer dinheirooooo?!”
O repetido grito de Sílvio Santos ecoa infinitamente no tedioso programa dominical. Frenéticas, como num esdrúxulo harém midiático, as mulheres se agitam, tentando chamar a atenção. Querem ser escolhidas para que o “comunicador” estoure ovos de galinha nas suas cabeças. Tudo por dinheiro.
O filme vencedor do Oscar “Quem quer ser milionário?” parece caminhar no mesmo terreno no qual o veterano brasileiro já trabalha há bastante tempo. Como numa espécie de show do milhão, vence quem responder corretamente todas as perguntas do todo-poderoso apresentador.
Desses dois universos midiáticos bem semelhantes, Índia e Brasil, pescamos algumas notícias recentes, veiculadas em jornais. Destacamos duas meninas, uma brasileira e outra indiana, duas Alices perdidas na periferia do capitalismo.
A primeira, a pequena atriz Rubina Ali, de nove anos, que interpretou a personagem Latika quando criança no filme “Quem quer ser milionário?”, que recentemente segundo o site britânico de notícias “News of the World”, foi posta a venda pelo pai por 200 mil Libras (R$ 647 mil). “Essa é uma criança especial agora. Ela não é uma criança qualquer, é uma criança vencedora do Oscar”, justifica o pai Rafiq, morador de uma favela de Mumbai.
A segunda é a pequena e irreverente Maísa Alves, apresentadora do “Sábado Animado”, que após mexer no cabelo do apresentador e dono do SBT Sílvio Santos comenta sem a menor cerimônia: “É peruca! Ele usa peruca!”. Enquanto isso, no intervalo, nos comerciais, a pequena atriz vende sandálias infantis, brinquedos e outros produtos associados à sua imagem. Com um contrato de fazer inveja aos brasileiros que ganham um salário mínimo, Maísa parece dizer o que quer no ar, ao conversar com o patrão Sílvio Santos. “Por que você não namora a Hebe, Sílvio?”
Separadas, miséria e esplendor, essas duas pequenas Alices não vivem em países maravilhosos, habitam a periferia do capitalismo em crise. Perderam o assombro e a ingenuidade da Alice original de Lewis Carroll (1832-1898), que ao seguir o Coelho Branco passa a vivenciar um mundo mágico no qual animais falam e outras coisas estranhas acontecem. A caminho das Índias, os dois contraditórios países se unem para além da óbvia tela da novela das oito. As duas meninas midiáticas são mercadorias vivas sem infância. No “maravilhoso” e midiático mundo da ilusão a palavra infância rima perfeitamente com infâmia.
*Jornalista e professor de Comunicação Social/UEPB
MARIA NEUSA DOS SANTOS
19 de May de 2009 às 6:08 pm
Há tanto alvoroço sobre o trabalho infantil mas, me parece que está ligado somente ao trabalho de crianças pobres que lutam para sobreviver. As autoridades não veem o que acontece nestes programas que exploram crianças. Se eles não veem NÓS ESTAMOS VENDO E VAMOS TIRAR ESSA MENINA DO AR.
Rogério Tomaz Jr.
19 de May de 2009 às 8:17 pm
Cara, sinistro demais isso…
Rogério Tomaz Jr.
19 de May de 2009 às 8:18 pm
Aliás, teve alguém (acho que algum deputado) que deu uma porrada recentemente na Globo: “Faz matéria contra o trabalho infantil, mas usa criança trabalhando em novela”, algo assim… acho até que foi o Sérgio “Tô me lixando” Moraes…
Marcelo Henrique®
19 de May de 2009 às 11:33 pm
Silvio Santos vai pro cantinho da disciplina! =D
Menina impedida de contracenar com Silvio Santos - um bom começo | Bodega
27 de May de 2009 às 12:14 pm
[...] passada escrevi um artigo sobre aquela menina de seis anos que é hoje uma das principais funcionárias do SBT, sobre quem recai a responsabilidade de levantar [...]
Camila
27 de May de 2009 às 10:45 pm
Ivan, o Sílvio não tá bom da cabeça não. Ele nunca foi, mas ele tá muito louco!