Participei essa semana do II Fórum da Internet no Brasil, que rolou aqui em Olinda, promovido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil.
Governança, marco civil, direitos humanos, acesso, conteúdos. Imagine alguma coisa, qualquer coisa sobre a grande rede. Imaginou? Pronto, alguém por lá tava falando nesse assunto aí.
Estive mais perto das discussões sobre banda larga e inclusão digital. Além de encontrar diversos amigos da caminhada pelo direito à comunicação, tive a oportunidade de ver alguns bons debates e, para minha infelicidade, saber coisas que, honestamente, a gente prefere não saber.
Como, por exemplo, que na mesma cidade de Boa Vista a banda larga nominal de 2 mega pode ser vendida por R$50, R$ 100 ou R$ 200 – comprados da Oi.
Como a possibilidade de o governo do Amapá ‘investir’ R$ 32 milhões do tutu do povo pra construir infraestrutura para a mesma Oi operar.
Como a definição do termo “caladão”, que é quando pelo menos três estados do Norte ficam completamente sem Internet quando o cabo de fibra ótica de uma empresa (adivinha qual?) dá bronca.
Como muito simbólica e sincera fala do dirigente da Anatel, informando que a internet rural no Brasil ainda engatinha e que “não é a dos nossos sonhos, mas pra quem não tinha nada…”
Ou como a alegria do representante de associações empresariais, contente com o avanço da rede no Brasil. O engravatado celebra que no país já (sic) temos quase 80 milhões de usuários, mas esquece de dizer que a qualidade é ruim e que o custo é dos mais altos do mundo.
Sentado e sofridamente tentando tuitar com meu espertofone, imaginei como seria a reação das pessoas se alguém viesse “comemorar” que a energia elétrica ou a água encanada “já” chegam a 40% da população. E se alguém no Ministério da Saúde dissesse que os programas de saúde da família no interior “não são dos nossos sonhos, mas pra quem não tinha nada…”?
Em dias de hoje, em que a busca por informação, empregos, participação política, distribuição de conteúdos e liberdade de expressão passam necessariamente pela grande rede de computadores, é preciso que esse assunto comece a ser tratado dentro da perspectiva do direito.
Não é soltar fogos pelos 80 mil que têm (mal e mal) o acesso à Internet.
É reconhecer os avanços e perceber que ainda temos mais de 100 milhões para incluir.
Não é sorrir pelos bons megas que podem ser adquiridos a preços mais baratos nos grandes centros.
É compreender que enquanto o Brasil inteiro não tiver conexão de qualidade, a tarefa não estará cumprida.