bibliotecasBiblio Viva menorSe você acha que biblioteca é aquele lugar careta em que uma senhora de óculos fica com cara de braba fazendo “shhhh!” sempre que alguém abre a boca, com certeza não conhece nenhuma das que formam a Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana do Recife.

São oito lugares, oito cantinhos de leitura, mas o silêncio está longe de definir essas células culturais espalhadas pela cidade. Seja no bairro do Coque, em Peixinhos, em Ouro Preto ou em Brasília Teimosa (só para citar algumas que conheço), as bibliotecas comunitárias são antes de mais nada espaços de resistência.

Abertas ao público, driblam a constante falta de recursos para realizar atividades que desenvolvem não só o gosto pelas letras. Além das tradicionais contações de história, ainda rola uma pá de eventos culturais mobilizando  gente que não raro começa a despertar para atitudes positivas e proativas diante do lugar onde mora e da vida que vive.

Não conto mais a quantidade de artistas e ativistas das mais diversas causas que vi serem forjados nesses espaços de convivência muitas vezes nada silenciosa.

Por vezes, acompanhei (de distâncias variadas) campanhas diversas para a doação de livros. E vi, com uma mistura de alegria e tristeza, algumas delas dizendo que não tinham mais onde colocar tantas obras que recebiam de gente boa de todo lado.

Claro que sua doação de livros continua bem vinda. Doe seus Drummonds, seus Andrades, seus Machados, suas Lispectors. Menos aqueles livros didáticos de quando você era da segunda série. Esses você manda pra a reciclagem, falou?

Só que, antes tarde do que nunca, chegou a hora de cuidar das próprias bibliotecas. Em algumas faltam estantes, mesas, cadeiras. Outras precisam de  tratamento contra infiltrações e mofo. Muitas aceitariam de bom grado uma mãozinha de tinta, uma reforma no telhado, um arcondicionadozinho para aliviar os dia de calor. Também há vagas pra quem quer trabalhar, seja dando uma força nas atividades culturais ou mesmo botando a mão na massa (corrida) e ajudando a deixar as bibliotecas tinindo.

Chega daquela caretice de achar que tudo o que tem “comunitário” no nome tem que ser pouco, pobre e pequeno. Eu sei que você também quer viver numa cidade mais legal, mais limpeza e mais justa. Então vamo entrar na vaquinha pra pagar essa conta?

Para contribuir com grana, você pode deixar seus tostões na conta 544-5 da Caixa Econômica Federal, agência 2193 / OP: 003. A conta tá no nome da Associação Ciclo de Historias do Coque, que é parceira da Rede. Pra tirar dúvidas sobre o que mais pode ser doado, entre em contato direto com os jovens articuladores da rede (Gabriel, Primo, Daniel ou quem mais atender o telefone (81) 3244.3325.