O problema com o atraso no crediário foi resolvido com negociação e um par de parcelas (se não souber do que eu tou falando, faça o favor de descer um pouquinho e ler a Parte I. Se não fizer questão, prossiga)
Afinal de contas, o nome limpo é o maior patrimônio dessa araçoiabense.
Mas o telefone continua a tocar.
“Senhora Maria do Carmo de Azevedo?”
“Lascou…”, Carminha pensou, mas não falou. Foi delicada. Quer dizer… Foi delicada sim.
“Diga…”
“Bom dia, aqui é da C&A!”, começou a serelepe ligadora. Vou aqui dar uma dica. Quanto mais alegre e serelepe for uma pessoa de telemarketing, pior intencionada.
Na nossa história, Carminha devolve o ‘bom dia’ e a moça continua.
“A senhora ganhou um presente!!”
“Mas não diga…”
“Digo sim! Por ser uma ótima cliente, a senhora esteve participando de um sorteio com nossas melhores clientes. E a senhora foi contemplada!”
“Mas não diga… Ganhei presente foi?”
“Ganhou por um ano um plano de saúde dentária extraordinário da Ibiodonto. Olha, esse é um dos melhores planos do Brasil, viu? Parabéns!”
“Mas e é?”
“É, e nós já estaremos enviando para você seu cartão, o livrinho do plano e todo o telelê. Ah, e a conta vem junto com sua fatura do crediário…”
“Péra péra péra! Mas não era presente? Que coiso de conta é esse?”
“Ah, Senhora, um plano desses por apenas R$ 22,00 por mês é um verdadeiro presente!”
“Mas não diga…”
Carminha pensou em umas duas restaurações e um canal que precisava fazer. Achou que pudesse valer a pena e acabou caindo na conversa.
Recebeu cartão, livrinho. Pegou papel e caneta. Somou. R$ 22 x 12 meses = R$ 264. Não, não gastaria tanto assim com dentista. Além do que tem muito plano mais barato no mercado.
Aí foi ela quem telefonou para a C&A.
“Olha, eu fiz um plano de saúde aí que vocês me empurraram… Quero cancelar…”
“Pois não, Senhora Maria do Carmo, não tem problema. Só que não podemos estar fazendo isso por telefone. A Senhora tem que vir aqui e…”
“Mas vocês são muito bonitinhos mesmo. Pra vender pode ser por telefone. Pra cancelar tem que ir aí?”
“É…”
Tum tum tum.
Ô Ivanzinho? Esse povo pode chamar ninguém de safado?
Cátia
13 de November de 2008 às 6:35 pm
Estava conversando com um amigo ontem sobre isso, quem nesse país pode chamar quem de desonesto? Claro que nunca somos santos, mas pensamos (eu e ele) que tentamos fazer o possível. Não comprar cd e dvd piratas, não fazer gatonet, tentar escapar dos made in China (isso daria o Missão Impossível número sei lá qual), etc…
Minha mãe já estava toda serelepe querendo tirar sua carteirinha de idosa para viajar o país todo de ônibus de graça. Disse a ela que estava sendo desonesta, já que ganha um salário como aposentada, mas como pensionista recebe bem mais que isso. Ela me disse que a minha tia já tirou a dela, e eu perguntei se ela ainda se lembrava de nossos bons e velhos ideais petistas, pois o partido pode ter se desmantelado por muitas pessoas, mas nós ainda fazemos parte dele e devemos o devido respeito ao que acreditávamos. Acredito que independente de partido, que citei só como exemplo, precisamos de valores, de ética, de seguir ideais menos materialistas, do contrário viveremos nesse mundo no qual toda semana aparece uma criança estuprada, em caixa de papel e outras. Não quero fazer aqui uma ode à culpa, mas precisamos nos responsabilizar por nossos atos, e sentir sim quando cometemos um erro. Tem uma série na tv paga, acho que é no canal FX que narra histórias de um serial killer que é “apresentado” como bacana porque mata outros criminosos. Isso tudo me assusta muito.
Bom, é isso: “O Brasil não é para principiantes”.
Beijinhos,
Cátia.
ANA CLAUDIA LIMA DA SILVA
7 de June de 2010 às 4:12 pm
QUERO TIRAR DUVIDAS SOBRE O VALOR DESSE PLANO