Não vi o primeiro debate político, em que os dois candidatos e duas candidatas de partidos com representação no Congresso Nacional puderam trocar uma ideia sob as câmeras e a organização da Rede Bandeirantes.
Preferi o futebol, paciência.
Soube que foi daqueles morninhos, comportadinhos.
Mas vi, ontem, o Canal Livre, na mesma emissora. Normalmente dedicado a entrevistas, o programa contou apenas com os quatro jornalistas da própria Band revezando-se em loas ao debate promovido por eles mesmos e procurando analisar a performance dos participantes.
Num determinado momento, todos foram unânimes ao esculhambar a legislação eleitoral, que exige a participação de todos os candidatos cujos partidos tenham representação no Congresso. “Isso é uma daquelas coisas que só existe no Brasil, feito queijo com goiabada”, disse um sorridente Ricardo Boechat, para a risadagem geral dos colegas de bancada.
Eu, que gosto muito de quejo com goiabada, já fiquei meio cabreiro com a observação.
“Onde já se viu uma lei dessas, que exige que os desiguais sejam tratados como iguais?”
Mais uma vez eu, que sou meio chegado a essa coisa de oportunidades iguais para todo mundo, mais uma vez fiquei descoisado.
De fato, do ponto de vista comercial, dois competidores se digladiando é coisa muito mais interessante de assistir que um debate em que todo mundo tem o direito de aparecer e dizer o que pretende fazer enquanto líder do poder executivo nacional. Coisas da televisão, você não entende não, seu bobinho.
Aí mais na frente, o ‘ponto de pauta’ era a participação do candidato do PSOL, Plínio de Arruda. Entre os participantes do debate, Plínio é o único que não costuma pontuar significativamente nas pesquisas divulgadas pelos principais institutos do país.
Foi quando o mesmo Boechat pitacou, como se fosse para mim. O que ele disse foi mais ou menos assim: “Para o bem ou para o mal, qualquer mudança nas projeções de votos para Plínio de Arruda será fruto desse primeiro debate eleitoral”. Sagaz, seu colega Fernando Mitre endossou. “Foi a primeira aparição pública do candidato. Até então ele estava escondido e pela primeira vez teve a oportunidade de dizer o que pensa”.
Eu, que não bato bem da bola, só pude concluir três coisas.
A primeira: quatro dos jornalistas mais inteligentes do Brasil não acham legal que todos os candidatos possam discutir suas propostas publicamente.
A segunda: a presença em programas de televisão, como debates, é fundamental para o sucesso de uma campanha eleitoral.
A terceira: eu sou muito, mas muito bobo.
Escreva um comentário