censuraCoisa boa. Até agora cinco pessoas comentaram o texto aí embaixo. Era um convite ao papo sobre liberdade de expressão.  Como eu disse ontem, vou “comentar os comentários” um pouquinho pra ver e a gente continua ou não.

Primeiro, respondendo a Luana Cunha, que pergunta se nessa Bodega existe liberdade de expressão. Aqui, tem. Aqui você pode discordar de mim o quanto quiser, desde que não parta para a baixaria (porque, por incrível que pareça, até a liberdade de expressão tem seus limites).

Agora, isso é aqui, onde raramente passamos dos 300 acessos por dia. Em outros blogs, talvez você não possa dizer tudo o que pensa, não sei. Isso porque cabe ao dono do blog (no caso bodeguístico: eu) escolher o que entra e o que não entra no seu veículo. Eu tou dizendo que você tem liberdade só porque eu quero que você tenha liberdade.

A mesma coisa acontece com emissoras de rádio e tevê que são controladas por empresas (quase todas). É o dono (e só ele) quem define o que vale e o que não vale. Então não podemos garantir que você tenha liberdade para se expressar em nenhuma cadeia nacional de televisão, por exemplo.

Se uma emissora dessas resolver que você é amante de um deputado, ninguém pode garantir que você vai ter a oportunidade de dar sua versão. Sacou? Se um jornalista (sic) der uma notícia dizendo que seu pai é suspeito de ser traficante de órgãos, nenhum jornal é obrigado a reconhecer um possível erro depois que as investigações da polícia tiverem se encerrado.

Enfim, Alberto. Eu sei que há milhares de veículos de comunicação no Brasil, como esta humilde Bodega. Mas aí, com todo o respeito, é ingenuidade sua (e não minha, que sou jovem há muitos anos) imaginar que eles podem competir em igualdade de condições na arena pública. Só porque uma pessoa escreveu alguma coisa e ‘bombou’ no twitter, não pode dizer que inseriu-se dentro do discurso midiático. Isso quer dizer que, no máximo, teve seus “15 minutos de fala” preditos por Warhol.

Compreenda que a liberdade de expressão não é a liberdade de “aparecer” (porque isso é até mais fácil de ser feito mostrando a bunda do que debatendo idéias). Trata-se do direito de falar o que pensa, da forma que pensa, a quem queira, através dos meios que para isso se fizerem necessários.

Se tenho necessidade de dizer alguma coisa para uma quantidade grande de pessoas, invariavelmente vou precisar de um meio de comunicação de massa. No Brasil, ainda (digo “ainda” porque acredito, como Alberto, que a capilarização da Internet pode ter um significado realmente revolucionário) não dá. E dá, claro. Se eu tiver grana, amigo político, amigo jornalista de rede de televisão ou, por algum motivo, tiver um discurso ou uma opinião que interesse a esse jornalista ou a seu patrão.

Quando se fala de controle, de regulamentação, tem muita gente que fica com o cabelo em pé. Acha que se trata de um arroubo autoritário do governo e blablablá. Não podiam estar mais equivocados. Esse “comitê único” é o que existe agora, quando seis ou sete famílias de homens brancos e ricos do sudeste controlam TODAS as redes de televisão. Salvo briguinhas por audiência, essa turma tem interesses muito comuns e posicionamentos políticos bastante parecidos.

Não é curioso que a maior emissora de televisão do Brasil em canal aberto não tenha sequer um programa de debates (salvo em eleições e, raras vezes, sobre futebol?)

Quando se fala em conselhos, por exemplo, se fala na necessidade de se democratizar os mecanismos de outorga de rádios e tevês, de garantir que de alguma forma os diversos segmentos da sociedade possam ser protagonistas de seus discursos através de mecanismos que garantam a diversidade de opiniões – e não o contrário.

Enfim, a coversa é boa. Mas, claro, com uma cerveja gelada e uma cabidela fica muito melhor.