galoEra sábado de carnaval e às nove da matina Rosa passava sua fantasia. Dois ônibus depois, estaria na Rua da Concórdia acompanhando o chamado “maior bloco do mundo”. Esse ano tinha se programado. Dez reais por mês da renda de diarista tinham ido pra um camarote especial em cima de uma loja de eletrônicos.

O telefone toca.

Era uma vizinha do filho mais velho. O rapaz, 20 anos, desiludido amorosamente, prometia o suicídio depois de uma noite de bebedeira. Havia quebrado uma garrafa de cerveja, que encostava no pescoço enquanto chorava e dizia que esse mundo não presta.

Rosa pegou o celular e por intermináveis 9 minutos tentou – sem sucesso – demover o jovem de seu plano suicida.

Foi quando a paciência se esgotou.

“Olha aqui, seu feladaputa. Ou você larga essa garrafa ou se mata logo de uma vez nessa porra. Mas digo logo. Se morrer no dia do Galo, o teu corpo fica aí fedendo, porque eu só vou buscar na quarta-feira.”

Mãe e filho brincaram felizes o carnaval.