A moça do atendimento ao consumidor, com sua irritante polidez, seu tédio e seus gerúndios.
As dezenas, centenas, milhares de pessoas que ao volante entopem as ruas da cidade, como gordura em hipertensas veias.
O cobrador que bem que queria, mas não tem o troco certinho pra dar pra você que precisa das moedinhas pra completar o dinheiro do pão.
A moça que ganha a vida vendendo a loteria quase ilegal que entrou na lei porque agora se chama “seguro premiado”.
O advogado de terno bonito e bem cortado, que só anda de carro com arcondicionado, bebe vinhos caros e quando discute democracia pensa logo na Dinamarca.
A criança que vende confeitos no sinal de trânsito, a amiga que quer lavar o párabrisas do taxista que saiu de casa às 6 da manhã pra poder pagar os 40 contos de diária e ainda tirar uma laminha pra tomar uma cerveja no fim de semana.
A fila do banco inteira.
A engenheira que comemorou a vinda dos Jogos Olímpicos do Rio. O atleta que acha tudo isso uma grande bobagem.
A professora que carinhosamente ensina pela trigésima vez (esse ano) que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos.
Ela, eu, você, essa pessoa que tá aí do teu lado.
Todo mundo.
Todo mundo preferia estar na praia.
E, com a graça de Nossa Senhora das Férias, semana que vem, eu poderei estar nela (poderei porque é se eu quiser).
:*
tais de tanga?
Ivan, não dá para não parabenizá-lo. Seus textos são incríveis.
E esse, em especial, uma graça.
Parabéns!
Eu super queria. Praia, caldinho e uma cerveja ultra gelada e feliz :)
Praia distante, com mato, sem internet + pencas de livros e gibis e amig@s bons. Mas ao invés disso, temos o que você disse. Às pencas.
Parabéns pelo texto!