museuvirtualmultidaoA moça do atendimento ao consumidor, com sua irritante polidez, seu tédio e seus gerúndios.

As dezenas, centenas, milhares de pessoas que ao volante entopem as ruas da cidade, como gordura em hipertensas veias.

O cobrador que bem que queria, mas não tem o troco certinho pra dar pra você que precisa das moedinhas pra completar o dinheiro do pão.

A moça que ganha a vida vendendo a loteria quase ilegal que entrou na lei porque agora se chama “seguro premiado”.

O advogado de terno bonito e bem cortado, que só anda de carro com arcondicionado, bebe vinhos caros e quando discute democracia pensa logo na Dinamarca.

A criança que vende confeitos no sinal de trânsito, a amiga que quer lavar o párabrisas do taxista que saiu de casa às 6 da manhã pra poder pagar os 40 contos de diária e ainda tirar uma laminha pra tomar uma cerveja no fim de semana.

A fila do banco inteira.

A engenheira que comemorou a vinda dos Jogos Olímpicos do Rio. O atleta que acha tudo isso uma grande bobagem.

A professora que carinhosamente ensina pela trigésima vez (esse ano) que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos.

Ela, eu, você, essa pessoa que tá aí do teu lado.

Todo mundo.

Todo mundo preferia estar na praia.