Tem uma casa massa para vender aqui perto de onde eu moro.

Casa não. É um casarão. Passando pela frente dá pra ver um quintal muito legal e um primeiro andar cheio de janelas que devem indicar uma quantidade absurda de quartos.

Sempre tenho curiosidade por casas para vender aqui na redondeza. Guardo um desejo nada secreto de ir para uma delas. Se ter nenhuma possibilidade financeira, não deixo de perguntar sobre preços, condições, etc.

Mas nunca telefono para donos ou cobradores. Vergonha e medo do futuro assédio me impedem.

Fica até mais divertido procurar saber através de terceiros.

Dessa vez foi o flanelinha-lavador de carros que bate ponto nas proximidades do imóvel à venda.

Eu passava pela frete e já era quase o crepúsculo. O nobre trabalhador descansava escorado no muro, com seu instrumento de trabalho no ombro.

“E essa casa aí, companheiro?” era a senha. E foi tudo o que precisei.

“Sete quartos, velho. Toda nova, toda organizada. Parece que tem um pepino de IPTU, mas o cara negocia. Agora cacete é o preço, visse? O cara tá pedindo 500 mil! Essa semana ofereceram R$ 380 paus e nada feito”.

“Porra… R$500 mil…”, deixei passar arrastado assim metade espanto, metade lamento.

Meu amigo da flanela não se conteve e mandou na lata:

“É porque eu não tenho, visse? Se eu tivesse, dava na hora. Vou morrer com dinheiro, é?”.