Bebês choram o tempo inteiro, principalmente de madrugada, quando os outros habitantes da casa estão tentando dormir. Não deixam os pais transarem e fazem cocô o tempo inteiro. Fazem xixi no colo dos mais velhos e dificilmente entendem as coisas que a gente fala. Nenês são todos iguais. Têm cara de joelho e nunca são tão lindos como os pais dizem. Ainda não perceberam que muitas vezes a gente tem que calar a boca só porque os outros querem.

Crianças são más. Perversas. Metem a mão no tira-gosto que é para quem está bebendo e bebem de guti-guti metade de uma garrafa pet de guaraná. Comem sem piedade a última fatia de bife à milanesa e enchem a mão de batata frita e brigadeiro. Mal sabem que isso vai dar pressão alta, diabetes, o cacete. Cruéis, não pensam duas vezes antes de arrancar o couro do colega baixinoh, da dentuça, do que chora de mais, do mais gordo e do mais magro. Meninos são egoístas e não emprestam os brinquedos. Meninas acham-se grande coisa e falam como se estivessem miando. Falta aos pequenos a hipocrisia que ajuda os adultos a viverem em sociedade.

Adolescentes passam tempo demais ao telefone. Pensam que sabem de tudo e ficam bêbados com duas doses de rum com coca. Têm espinhas demais e ainda não sabem o que querem ser quando crescerem. Preferiam que os pais fossem mais liberais ou mais caretas. Não têm noção e não sabem brincar. Não lhes entra na cabeça que é preciso se abdicar dos prazeres da vida para poder pagar as contas no final do mês.

Adultos não suportam a ignorância dos bebês, a crueldade das crianças e o egoísmo dos adolescentes. Adultos são muito chatos.

Pêésse: Escrito originalmente escrito em 17 de agosto de 2001. Recentemente resgatado.