Sexta-feira passada, gravamos as cabeças de mais dois Pé na Rua, o 13 e o 14.

“Cabeças” são as chamadas, as falas do apresentador. No nosso programa, cada vez gravamos num lugar diferente.

Logo de manhã chegamos à comunidade de Entra Apulso, em Boa Viagem, pertinho do Shopping Recife. Fomos gravar diante da única creche comunitária de lá (uma belezura, diga-se de passagem), que fica vizinha a uma escola municipal.

Nossa equipe é normalmente de, no mínimo, 7, 8 pessoas. Descemos do carro com câmera, microfone e aquela parafernália toda, obviamente aguçando a curiosidade da criançada que se acotovelava na janela do colégio pra saber o que estava acontecendo.

No meio de tanto barulho, uma perguta se distinguiu pela insistência com que era feita e pela quantidade de vozes que questionavam.

“Morreu alguém?”

Entra Apulso é uma comunidade urbana fruto de uma ocupação que aconteceu em 1950. É uma comunidade acostumada a reivindicar seus direitos, a se organizar. Tem comércio, tem creche (mas precisava ter mais), tem escola (mas precisava ter mais).

Tem mais de 10 mil moradores e moradoras, que são comerciantes, marceneiros, policiais, educadores, técnicos e mais um monte de coisa.

O lugar tem problemas. Falta esgoto em muitas casas, falta oportunidades pra muita gente, falta espaço na escola, falta iluminação em alguns locais.

Mas as crianças já compreendem. Com tanta variedade de assuntos e demandas, uma câmera só chegaria lá mesmo se alguém fosse morto.

O que não foi o caso. Fizemos o programa, entrevistamos Sandra Nicolau, ótimo papo e coordenadora da Creche; fizemos o microfone aberto e a turma (especialmente a criançada) teve a chance de abrir o bocão e pedir mais espaço na escola, mais áreas de cultura e lazer.

Em mais um dia em que o Pé na Rua foi o Pé na Rua.