Um argumento bastante usado para defender o trabalho de crianças e adolescentes no mundo das artes é o de que a criança diverte-se, expressa-se artisticamente e, antes de tudo, gosta do que faz.
O argumento tem muita razão.
Se uma criança gosta de cantar, de dançar, de pintar ou de praticar esportes, deve ser incentivada a fazê-lo, a desenvolver suas habilidades e a expandir seus horizontes.
Isso tudo, porém, desde que não se perca a noção do que são seus direitos e devidos mecanismos de proteção.
Trabalhar todos os fins de semana, quando poderia estar brincando com coleguinhas de sua idade, é perigoso para a formação da criança.
Tornar-se celebridade e deixar de fazer atividades condizentes à sua idade também é.
Tornar-se, aos seis anos de idade, a principal provedora da residência, também é fora de questão.
Uma mãe que manda a criança vender confeito no sinal de trânsito merece ser punida.
Uma que incentiva (e agencia) a filha para o showbusiness sem preocupar-se com sua condição de criança também deve ser questionada.
“Ah, mas ela gosta tanto…”
Minha filha tem dois anos. Gosta muito de jogar papel amassado no lixo e de levar os pratos para a cozinha. Nem por isso vou arrumar um emprego num barzinho para ela “se divertir” aos sábados.
Também gosta muito de dançar. E também de andar correndo sem roupa pela casa. Nem por isso vou arrumar uma boate e negociar seus serviços.
O que fazer?
No caso das crianças com inclinação artística, o ideal é que sejam incentivadas a expressar-se artisticamente, mas não profissionalmente. Festas de familia e ocasiões promovidas pela escola são ambientes ideais para essa atividade. O mesmo vale para crianças com aptidões esportivas, por exemplo.
Até os meios de comunicação como o rádio, a televisão e a internet podem ser canais para essa manifestação artística. Mas aí todo o cuidado é pouco e algumas questões devem ser levadas sempre em conta. Listo algumas reflexões que podem ser feitas neste – e em outros casos:
Listei sete perguntas. Uma resposta negativa a qualquer uma delas pode acender um “sinal amarelo”.
Não custa lembrar que cuidar da criança é dever do estado, da família e da sociedade.
Então se você não está fazendo nada, já está fazendo alguma coisa.