“A senhora sabe o que são royalties?”, perguntou a moça da Band a uma senhora que candidamente participava do protesto.gov promovido no Ridijanêaro nesta quarta-feira.
A ‘manifestante’ coçou a cabeça.
“Sei não senhora. Mas tão querendo tirar, né? Ibsen Pinheiro, né? Pra mim é um safado, um sem vergonha, um vagabundo”.
A sonora relatada acima parece ter sido o único momento de lucidez dos telejornais noturnos ao relatar a manifestação chapa branca convocada pelo governador carioca em sua choradeira contra a mudança na distribuição dos royalties do petróleo – que notoriamente prejudica seu estado.
Como tá no título, não tou aqui (ao menos agora) pra falar da mudança proposta (e inicialmente aprovada) pelo deputado Ibsen Pinheiro (PMDB/RS).
Mas pra dizer que fica muito muito muito difícil assistir televisão quando os interesses fluminenses estão postos em xeque.
De repente, o Brasil inteiro parecia estar protestando lado a lado com o governador do Rio – único político entrevistado nas matérias sobre o protesto.
De repente, todas as redes nacionais de televisão pareciam estar empunhando a bandeira de Sérgio Cabral e explicando para nós, ignorantes, que a hora é mesmo de ir para as ruas para protestar pelo que é nosso. Digo, deles.
O próprio Ibsen Pinheiro não teve voz na reportagem sobre a passeata que teve direito até a boneco gigante do deputado transformado em demônio. Nem os outro nove estados produtores de petróleo pareciam ter alguma coisa a falar. Nem ninguém dos outros estados brasileiros (maioria?”) teve sua opinião microfonada pela nossa valente e ‘livre’ imprensa nacional.
Destaque (como não poderia deixar de ser) para os telejornais da Globo, que tem sede no Rio. Para a gente ter uma idéia, o Jornal Nacional informou que havia 80 mil pessoas no protesto.gov, enquanto o Jornal da Globo, três horas mais tarde, disse que eram 150 mil. Para o médio entendedor, ou o interesse era de superfaturar a manifestação ou a gente pode imaginar que 70 mil deixaram suas casas para defenderem os royalties durante e novela e o futebol.
Arnaldo Jabor, fiel depositário da liberdade de expressão nacional (sic) aproveitou seu palanque no JG para dizer que o Rio tinha sido esquecido pelos governantes desde a mudança da capital para Brasília. Babando de raiva, esculhambou meio mundo de gente e terminou dando uma banana para a câmera.
Eu entendi que era para mim. Afinal de contas, durante todos esses anos nós, nordestinos, devemos ter lucrado muito em cima dos cariocas como Jabor.
Pena que a gente não tem um microfonezinho ligado no horário nobre pra dizer o que pensa na televisão.
Liberdade de expressão é isso aí?
J.
18 de March de 2010 às 10:44 am
dias seguidos jabor chora as desgraças do rio na cbn. pela empáfia do discurso, quem não concordar pode se sentir um imbecil completo. acho que todos os estados do norte e nordeste deveriam organizar mutirão de doações para o ridjanearo. os pobrezinhos… já que o estado é orgulho do país. ou então pederemos o direito de chamar a capital fluminense de “minha cidade maravilhosa”
Roberta
18 de March de 2010 às 12:03 pm
Acho que a banana foi para o povo do Norte também…
Engraçado… não me lembro da mídia ter dado tamanha notoriedade quando foi aprovada a lei Kandir – que isentou de ICMS produtos para exportação, como por exemplo minério. E olha que tal lei significou perdas significativas para o Pará, que hoje só faz arcar com o passivo ambiental e social que as empresas beneficiadas (= Vale, Albrás, Alunorte e outras) geram.
Quero me unir a campanha proposta pelo J.
Inácio França
18 de March de 2010 às 8:20 pm
Vocês sabiam que o deputado Rodrigo Maia, do DEM-RJ e queridinho dos Marinho+Saad nem apareceu na votação da Câmara que tirou os royalties do Riu? Putz, o cara é presidente nacional do partido mais onestu do Brasil, filho do ex-prefeito da cidade maravilhosa e não deu as caras na votação. Mas isso não é notícia. Devo estar ficando doido achando que é.
Alexandre
21 de March de 2010 às 5:42 pm
Pois é, eu cada vez fico mais e mais impressionado com a ‘imparcialidade’ da Globo. É nítida a irritação dos repórteres quando tratam do assunto. Fazem o maior Lobby do mundo para concentrar os recursos federais lá e depois dizem que são uns coitados por causa disso. Lembram do quanto a Globo foi tendenciosa para conseguir mandar a Copa e as Olimpíadas pro Rio? O Rio diz que sustenta o resto do país, mas na verdade é um buraco sem fundo que apenas suga o dinheiro da União. Está mais do que na hora de nós aqui no Norte e Nordeste, que somos achincalhados em rede nacional, começarmos a boicotar esses canais pois também fazemos parte deste bilionário mercado consumidor chamado Brasil. VAMOS ACABAR COM ESSA SUBCULTURA DE SAMBA E NOVELA. Vamos questionar mais vezes o Rio e a Globo. Caso contrário, estaremos condenados a nos curvarmos para sempre aos cariocas e à sua Vaca Sagrada, o Rio de Janeiro.