Um café bem forte funciona como mágica pra acordar a cabeça e incomodar aquela gastritezinha chata que mora no seu estômago.
Pra dormir: Frontal, Lexotan tão valendo pra quem não tem medo de química e consegue aquela receitinha especial. Pra quem abraça as árvores, suco de maracujá amargo
Viagra pro pau subir e pro coração bater mais rápido.
Álcool pra deixar mais leve e alegre, mesmo sendo uma substância depressora do sistema nervoso. Uma dose pra perder a vergonha e duas pra chamar a moça para dançar. Uma garrafa de cerveja para ficar gato na praia, como bem observa o anúncio da tevê. Meia de uísque para ficar invisível. Várias delas pra sofrer acidente de carro, brigar com o vizinho ou contrair uma cirrose.
Neosaldina para dor de cabeça passar (ou Doril pra ela sumir). Azia? Omeprazol.
Eno ajuda a digerir.
Lactopurga ou suco de mamão são pra quem precisa fazer cocô e não consegue.
Um cigarro para fazer companhia de um jeito que seu pulmão jamais esquecerá.
Açúcar com refrigerante pras crianças ficarem pulando na festa.
Prozac ou Rivotril pra aguentar mais um dia de trabalho chato e aquela voz esganiçada do chefe que você preferia mesmo mandar. Sim, vicia. Sim, tem efeito colateral. Mas quem quer se estressar hoje em dia?
Maconha**? Já pra a cadeia, drogado cabrassafado!
*Este bodegueiro compreende que muitas pessoas necessitam fazer uso de substâncias farmacoquímicas para permanecerem ou tornarem-se saudáveis, porém é contra a automedicação.
** Seguindo a mesma lógica, este que vos escreve é a favor da descriminalização de todas as drogas que ainda são ilícitas (para o uso de pessoas adultas), embora seja contra qualquer propaganda de qualquer uma delas. Acredita que já passou da hora de a política sobre drogas tornar-se uma questão de saúde – e não de polícia. No próximo domingo, 20 de maio, haverá a Marcha da Maconha do Recife. A manifestação, que defende a mudança na maneira como o estado trata a erva (e seus usuários), acontece no Recife Antigo, na parte da tarde.