Quem me conhece, sabe o quanto eu gosto de dar “bom dia”. É um cumprimento legal, que não faz mal a ninguém e que aproxima as pessoas. Especialmente nesta hora tão cabulosa que é quando você tá indo pro trabalho ou pra a escola, indignado por ter sido acordado por aquele despertador cabrassafado.
Andando, faço questão de dar “bom dia” (ou “boa tarde”, ou “boa noite”) a simplesmente todo mundo que cruza meu caminho. Absolutamente todo mundo. Isso há vários anos. Pelo menos uns dez, eu diria. Nesse tempo todo, cheguei a algumas conclusões sobre o exercício do cumprimento público a pessoas desconhecidas. Não imagino que sirvam para alguma coisa, mas insisto em dividir com vocês.
1. Quanto mais velha for a pessoa, maior é a probabilidade de responder ao cumprimento. Também maior a possibilidade de fazê-lo com alegria e simpatia;
2. No caso das moças dos 18 aos 25, quanto mais bonita, menor a probabilidade de responder. Se for cheirosa, a chance de fazer cara feia e seguir adiante aumenta em cerca de 78%;
3. O lugar (entre os que visitei) em que se dá mais “bom dia” é o interior de Moçambique. A resposta lá é “bom dia, obrigado”;
4. Londres é um lugar em que não se fala “bom dia” nem se a vida deles dependesse disso;
5. Quanto mais pobre, maior a chance de dar “bom dia”. Especialmente pessoas que trabalham em vias públicas ou perto delas, como garis, porteiros e taxistas;
6. Se a pessoa estiver na rua para pedir esmolas, o “bom dia” vai vir naturalmente acompanhado de uma solicitação;
7. Se a pessoa cumprimentada estiver no seu caminho regularmente, a possibilidade de ela dar “bom dia” antes de você aumenta a cada encontro;
8. Se você estiver caminhando de mãos dadas com uma criança de até 12 anos, a possibilidade de resposta aumenta numa razão inversamente proporcional à idade;
9. Se você está perdido e, antes de pedir ajuda a alguém, começa a conversa com “bom dia”, a chance de ser mandado para o lugar errado diminui consideravelmente;
10. A casos de assaltos que foram evitados por conta de um “bom dia”. Mas eles são de dificílimo relato e registro;
11. São mínimos os casos de a resposta ao cumprimento ser agressiva, embora eles existam.
Thiago
24 de November de 2009 às 1:45 pm
Certa vez dei “bom dia” para um empaletozado lá onde eu trabalho. A resposta foi “pra quem?”.
Yvette Teixeira
24 de November de 2009 às 3:25 pm
Sou totalmente adepta do bom dia, boa tarde, boa noite e obrigada. Concordo com todas as suas observações.
YVETTE
Fábio Mozart
24 de November de 2009 às 8:29 pm
Conheço um cara que responde a quem pergunta “como vai”?
—Uns dias vou bem, outros vou mal, depende da fase da lua…
Portuguesinha
30 de November de 2009 às 6:56 pm
Há muito a dizer sobre este cumprimento. Na sociedade actual tem cada vez menos uso. Isso não me preocupa. Sabe porquê? Porque acima do cumprimento em si, gosto da honestidade. Não me interessa um “bom dia” seco ou sem contacto visual proposital, para servir de agressão. É uma má forma de começar o dia. Depois, sou tímida. Bem sei que muitos já esqueceram o que isso é mas, por mais “enturmada” que uma pessoa tímida pareça ser, a timidez, todos os dias, está sempre presente no primeiro contacto. Ao invés de um “bom dia” que ás vezes é pensado mas não sai, gosto de olhar e sorrir. Adoro sorrir. O meu sorriso vale por 1000 “BONS-DIAS”, pela sinceridade que tem.
Prefiro a sinceridade dos gestos à norma rígida de como se “deve” cumprimentar. Vi demasiadas pessoas a cumprimentarem-se com beijos e abraços, para depois desatarem a cortar umas nas outras. O cumprimento em si, nada vale se não for sincero…~
E sim, os muito mais velhos são os que ainda procuram esse cumprimento na rua. Por vezes cruzo-me com um idoso e verifico que este olha para mim, mas eu mal lhe olho, porque mal olho o que quer que seja, no ritmo acelerado a que ando. Por vezes gostaria de dizer “bom dia” a um deles. Deve ser difícil para esta geração, habituada desde miúdos a cumprimentar todos com que se cruzam, ver que o hábito caiu em desuso. Poucos gostam de o dar a desconhecidos, quanto mais aos mais velhos…
Cumprs!
Fracassos cumprimentativos | Bodega
8 de November de 2010 às 10:56 pm
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