Virou mexeu, a Rede Globo de televisão faz coberturas de seminários, debates e entregas de prêmios de comunicação em que participam alguns executivos do grupo. Ontem o rega bofe foi na Academia Brasileira de Letras, uma entidade pra lá de especial.
Tudo bem. Isso nunca foi novidade em empresa nenhuma.
O engraçado é que, de um tempo para cá, o assunto que eles mais gostam de tocar é a liberdade de expressão.
E esse assunto é mais do que interessante.
Surge num contexto em que a democracia brasileira procura se fortalecer, especialmente com a luta pela liberdade de expressão e pelo direito à comunicação que vem da sociedade civil organizada.
Ora, a liberdade de expressão é uma liberdade individual, que vem das revoluções burguesas.
O que é que isso quer dizer?
Isso quer dizer que eu, você, o homem da farmácia, Davi de Engenho Maranguape, Édson da Ilha de Deus, dona Maria da padaria, todo mundo tem o direito de dizer o que quiser.
Mas os donos da Globo (ao contrário de muitos dos seus funcionários) pensam diferente.
Eles pensam que a liberdade de expressão é o direito que eles têm de falarem o que quiserem, do jeito que quiserem.
E que direito à informação é a obrigação que você tem de acreditar em tudo o que eles dizem.
Porque se eles fossem tão gente fina assim, estariam fazendo das tripas coração para que houvesse mais gente produzindo conteúdo, seja em empresas independentes, em núcleos comunitários, em rádios e tevês de bairro.
Porque eu duvideodó que todo mundo no Brasil fala com aquele sotaque de aeroporto de William Bonner.
E eu xóxi se a diversidade da música brasileira couber no programa do Faustão.
Só que esse povo todo que tenta e faz comunicação diferente, que acha que as tevês comerciais não são tão concorrentes assim, não falam no microfone da Globo. Na verdade, como regra geral, nem das outras.
Se a saúde no Brasil fosse tratada do jeito que a Globo (e as outras) acham que deve ser tratada a comunicação, o recado era o seguinte (e não era implícito):
“Vocês têm todo o direito de permanecer saudáveis. Desde que tenham dinheiro para pagar por isso. Deixe que os donos dos hospitais sabem o que é melhor para você”.
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