Quando João me contou que Michael Jackson tinha morrido eu custei pra acreditar.
“Era mortal? Era terráqueo”
Fazia umas poucas horas que a notícia tinha corrido o mundo. Eu, de computador desligado, não me conformava em não ter sido um dos primeiros a saber. Mas que bobagem.
“Morreu mesmo? E o mundo continua no mesmo lugar?”
Pensar em Michael Jackson é pensar na infância.
O breakdance (ou o “brêique”, como a gente chamava) que a gente imitava e que também chamava de “dançar maicoujécso”.
Aliás, “dançar maicoujécso” era um dos ‘castigos’ mais executados nas brincadeirinhas em que o pior tinha que “pagar uma prenda”. Tá bom, talvez perdesse para “dançar grete”, que significava imitar os trejeitos da “Rainha do Bumbum” ao som de “Conga la Conga”.
Se um dos amiguinhos estivesse embaçando, atrapalhando a conversa ou coisa parecida, logo alguém mandava ele “dar o pira”. “Dar o pira”, pra você que não era criança nos anos oitenta, significava exatamente “Beat it”, outro clássico do Rei do Pop. A gente nem sabia nada de inglês, mas só de olhar na cara dele dava pra saber que esse “Beat it” não era brincadeira.
A gente foi crescendo e Michael, tal qual um Benjamin Button vivendo num Truman Show, foi virando criança.
Trabalhando feito um condenado antes de sua idade ter dois dígitos, foi comprando brinquedo, parque de diversões, comendo pipoca…
Até desnascer.
No momento em que tinha uma série de shows agendados (e lotados), que tinham tudo para causar o maior rebuliço na indústria da música, resolve que não vai ser dessa vez.
Deu o pira e foi dançar na Lua.
E quem quiser que duvide.
Suruma
26 de June de 2009 às 11:23 am
melhor título: Diario de Pernambuco
melhor capa: Diario de Pernambuco
foto de Michael sendo socorrido (furo): Folha de Pernambuco
melhor texto gay (interno): Folha de Pernambuco
melhor texto blazè: JC
O que me levou às lágrimas: Bodega
Kenia
26 de June de 2009 às 11:34 am
O melhor texto mesmo!
Abraço.
Joao Eurico
26 de June de 2009 às 1:11 pm
Muito bom o texto só que o personagem é Benjamin Button e não “burton” … pequeno detalhe que faz uma diferença enorme.
Carol
26 de June de 2009 às 2:40 pm
Amei o texto. Me vi mandando o povo “dar o pira”.
Thiago
26 de June de 2009 às 4:39 pm
Menos um pedófilo no mundo.
Samuel
26 de June de 2009 às 5:45 pm
Piadas prontas:
Dizem que ele chegou ao céu perguntando pelo menino Jesus..
e que morreu engasgado com um batom Garoto…
Melhor capa: Meia Hora – SP
“Nasceu preto, ficou branco e vai virar cinza.”
Wellington de Melo
26 de June de 2009 às 6:05 pm
Ainda lembro dos zumbis no Fantástico. Endoidou, fudeu-se.
naire
26 de June de 2009 às 6:13 pm
Maravilhoso!
As melhores lembranças são as da infância, sem dúvida.
Pena que as de “maicoujécso” não são as melhores.
Naire
karine
27 de June de 2009 às 12:54 pm
muito bom! :)
samarone
28 de June de 2009 às 2:05 pm
É, mas falar da pantera linda, que também morreu, você nem nem…
sama
Cátia
28 de June de 2009 às 9:43 pm
Ivan,
Eu estava em um bar tomando uma caipirinha, quando minha mãe me ligou no meio de uma tarde fria e chuvosa, e disse: “Filha, Michael Jackson morreu”. Eu disse: “O que? Como? Que é isso? Morreu do que? Não é possível”! Minha vontade era dizer a todos no bar: “Pessoal, Michael Jackson morreu. Parem o mundo”.
Não podia ser, não era possível isso, nunca passou pela minha cabeça, pois concordo com você, ele era uma criança!. E minha mãe me disse depois: “Eu olhava para ele e via um menino de 18 anos”.
Depois disso, e ainda continuo pensando, que sentimento foi esse o meu? Não faço idéia. Não consigo esquecer que era um pedófilo (nenhuma prova, mas muitas evidências), mas isso parece me escapar. Será então a sensação da infância mais uma vez sendo enterrada? Penso que não, pois ele continuava mais e mais infantil. O susto maior talvez seja mesmo descobrir que ele era mortal. Como podia ser mortal, além de tudo que foi, ainda era mortal? Impossível!
Admirava o talento dele. Não era minha trilha sonora preferida, mas sempre foi agradável aos ouvidos, e mesmo se transformando naquele ser de sabe-se lá que planeta, quando dançava e cantava enchia meus olhos. Confesso, eu que sempre resisitia ao suposto pedófilo, me rendia diante de tanto talento, me emocionava e ainda me emociono cada vez que o vejo dançando e cantando no Santa Marta e com o Olodum. Reisto, mas acabo arrebatada, e boquiaberta com tanto talento.
Me irritou profundamente assistir o João Marcelo Boscôli dizendo que não havia nada de diferente na vida de Michael Jackson, nada de “excêntrico”. Ora bolas, não sei se “excêntrico”, se era de outra esfera, nada disso sei, mas sei que era um ser que flutuava, que levitava cantando e dançando, e dono de uma história de vida que me intrigava profundamente, a ponto de me fazer acompanhar cada processo criminal em que se envolveu. Uma vida que não cabe em qualquer linearidade, um perfil indecifrável, era tantos. Alguém que não se consegue definir.
Você foi mesmo brilhante ao dizer que ele “desnaceu”, e penso que não só por ter feito uma trajetória contrária à nossa, mas porque ele não era mesmo um ser para a morte. Indefinível, indecifrável.
j.
29 de June de 2009 às 3:41 pm
e farrah fawcett?
Fran
30 de June de 2009 às 10:48 am
sim mas e daí?
Thiago
30 de June de 2009 às 1:10 pm
Jesus disse: “Venham a mim as criancinhas”
Máicou viu ali um filão, e resolveu investir.
Chico Carlos
26 de July de 2009 às 4:04 pm
Michael Jackson para sempre
Tentar resumir Michael Jackson numa única frase é fácil, mas também difícil. Resgatá-lo em 50 anos de vida, de inesquecíveis e marcantes apresentações pelo mundo afora, de mitos, lendas e rumores, é como tentar aprisionar a fumaça que flutua no ar. Em algum lugar, nas névoas de nossas lembranças coletivas, nesse cenário mutante do universo pop, a figura talentosa, polêmica e carismática de Michael Jackson vai ficar pra sempre.
Ao lado dos irmãos mais velhos formou o Jackson Five no fim dos anos 60, conseguindo emplacar sucessos de forma estrondosa. Tornaram-se os maiores da história da indústria fonográfica, com 13 canções no topo das paradas dos Estados Unidos. Mas, o menino Michael teve uma infância roubada e viciada em trabalho. Deixou de brincar, de curtir e viver uma fase mágica da vida.
Seu disco “Trilher” de 1982 é considerado o mais vendido de todos os tempos, com mais de 100 milhões de cópias. Além disso, inovou com clipes revolucionários nesta nova forma de cantar e ser único na linguagem corporal. Jackson acelerou os passos para ser o Rei do Pop, o artista mais célebre do mundo. Um furacão. Quem não se lembra da música We are The World, que compôs com Lionel Ritchie? Ele era ídolo e a personificação da própria música. Quebrou conceitos, superou marcas, incomodou os puristas de plantão. Os críticos morderam o pé da mesa, torceram o nariz ou quebraram a cara? Coisas inevitáveis.
Respeitáveis avós de hoje, em seus dias de adolescente, só precisavam vê-lo para ficar histérica. A voz e a dança de Michael tornaram-se símbolo de uma geração, e continuam sendo uma trilha sonora emocional para o mundo. Todo esse caminho foi feito de seu jeito próprio e especial, atravessando caminhos e descaminhos que a vida lhe ofereceu. Conquistou fama, sucesso, dinheiro, menos a felicidade. Essa tal felicidade que ele tentou comprar quando era adulto. Engano e ilusão. Em verdade, cada um de nós carrega a fama que tem e merece. Mas, muita gente não sabe distinguir o que é fama de ser bem sucedido.
Nos anos 90, Jackson mergulhou em esquisitices crescentes. Operações plásticas, mudança de cor, casamentos frustrados, nascimento dos filhos e acusações de pedofilia. Mídia e opinião pública divididas. Onde estão as provas cabais dessas acusações. O que veio depois é menos importante, até amargo para todos seus milhares de fãs. Em alguns casos, a mídia informa, deforma e conforma. Faz parte do show do circo armado pelos oportunistas de plantão. O que veio depois é menos importante, até amargo para todos seus milhares de fãs.
A influência musical de Michael Jackson é maior do que conseguimos entender. Até a Mídia reconheceu que vai prevalecer de suas “transformações” será apenas a brilhante música que ele produziu, cantou e dançou. Nenhum ícone somou tantos talentos em uma só personalidade. Um fenômeno insuperável que e confunde com o próprio conceito do que é a música pop. Como sua morte aos 50 anos. Fica a história de um ícone dos mais adorados, polêmicos e completos. Agora, tenha certeza, não é mais um slogan vazio: Michael Jackson será sempre o Rei do Pop. Quem duvida, que vá ouvir Thriller nem que seja pela primeira vez. Ou quem sabe pela última. Portanto, ligue o som e viaje nas asas da imaginação… Detone, sem medo de feliz!
Os ídolos não morrem, viram lenda. Michael Jackson era uma espécie de Mandrake da música da pop. O extraordinário Stevie Wonder foi certeiro sobre a morte de Michael Jackson: “Devemos lembrá-lo e não chorá-lo. Não devemos cair no pessimismo. Se as pessoas não podem dizer coisas boas, então devem ficar caladas”. A festa lá céu vai durar alguns dias e sem hora pra acabar, com as presenças de Elvis Presley, Bob Marley, Brian Jones,Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain, John Lennon, Fred Mercury, James Brown, além das participações especiais de Tim Maia (será que ele vai?), Raul Seixas e dos Mamonas Assassinas. Rock e pop juntos. Alguém duvida? Apareça por lá brother!
Abraços fraternos
Chico Carlos