michael_jackson_-_thrillerQuando João me contou que Michael Jackson tinha morrido eu custei pra acreditar.

“Era mortal? Era terráqueo”

Fazia umas poucas horas que a notícia tinha corrido o mundo. Eu, de computador desligado, não me conformava em não ter sido um dos primeiros a saber. Mas que bobagem.

“Morreu mesmo? E o mundo continua no mesmo lugar?”

Pensar em Michael Jackson é pensar na infância.

O breakdance (ou o “brêique”, como a gente chamava) que a gente imitava e que também chamava de “dançar maicoujécso”.

Aliás, “dançar maicoujécso” era um dos ‘castigos’ mais executados nas brincadeirinhas em que o pior tinha que “pagar uma prenda”. Tá bom, talvez perdesse para “dançar grete”, que significava imitar os trejeitos da “Rainha do Bumbum” ao som de “Conga la Conga”.

Se um dos amiguinhos estivesse embaçando, atrapalhando a conversa ou coisa parecida, logo alguém mandava ele “dar o pira”. “Dar o pira”, pra você que não era criança nos anos oitenta, significava exatamente “Beat it”, outro clássico do Rei do Pop. A gente nem sabia nada de inglês, mas só de olhar na cara dele dava pra saber que esse “Beat it” não era brincadeira.

A gente foi crescendo e Michael, tal qual um Benjamin Button vivendo num Truman Show, foi virando criança.

Trabalhando feito um condenado antes de sua idade ter dois dígitos, foi comprando brinquedo, parque de diversões, comendo pipoca…

Até desnascer.

No momento em que tinha uma série de shows agendados (e lotados), que tinham tudo para causar o maior rebuliço na indústria da música, resolve que não vai ser dessa vez.

Deu o pira e foi dançar na Lua.

E quem quiser que duvide.