“Não fale com estranhos”, ouvimos.
Ano após ano. Geração após geração.
“Não fale com estranhos”. A frase é simples, a regra é clara. E cumprida à risca. Não, com estranhos não. Não fale.
Fale com os seus iguais, é o que diz a entrelinha da estranha sentença.
Com os de mesma raça, de mesmo gênero, de mesma classe social, de mesmo time de futebol, religião, orientação sexual ou político-partidária, de mesmo tipo de refrigerante light preferido.
Não com os estranhos.
Não, não fale.
Como não?
Como crescer, aprender, dividir, respeitar, evoluir sem falar com estranhos?
Como descobrir novas culturas, gestos, gostos, sabores? Conhecer outros pontos de vista, outras maneiras de se ver as mesmas coisas?
Como respeitar o diferente sem falar com o diferente? Como olhar para o estranho e ver uma pessoa, um ser humano. Como sem falar, sem ouvir?
Pois fale com estranhos, minha filha. Ouça os estranhos. Conheça os estranhos. Olhe nos olhos e se veja com olhos estranhos, de pessoas estranhas.
Fale, minha filha, e perceba a beleza de se viver num mundo diverso, colorido
e muito, muito estranho.
Ivan! Que coisa, não faz muito tempo, tive uma conversa exatamente sobre isso com Cata! Nesses moldes, crescemos e nos acomodamos dentro de nossas bolhas, com nossos iguais, de mesmas visões, mesmos preconceitos. Massa são aquele que, sabiamente, furam a bolha!