Entrou no carro, ligou o som, a menina se manifesta logo:
“Quero música de criança”.
Precavido, o pai lança mão do porta CDs infantil e tira um onde pode-se ler na capa “A barata diz que tem”.
Passa a primeira, passa a segunda canção. A menina canta empolgada. Sabe a letra de cor e salteado.
Lá pela terceira ou quarta, ela desconfia que está sendo ludibriada.
“Papai? Essa música não é de dormir?”
“E é? Mas não precisa ser de dormir não”.
“Então pode ser de acordar?”
“Pode, minha linda, pode ser de acordar”.
Mas nem era. Entre a saída e a chegada, o sono embalado pela trilha sonora certa na hora errada.
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