justicaA menina, dois anos e tantos meses, já tinha feito um passeio ao zoológico, com o pai e um par de amigos. Viu os macacos, a cobra enorme (“porque almoça tudo e não estraga comida”) e o leão dorminhoco.

Depois foi a vez de o pai brincar, tomando um chope na mesa de um bar, digamos, “child friendly”.

Isso quer dizer basicamente que o bar tem um pula-pula para que pais e mães possam ficar com a consciência mais ou menos tranquila enquanto saboreiam um par de tira gostos.

Depois de devorar um prato de costelinha com purê (almoço de domingo, convenhamos), a menina foi pular pular como tanto gosta gosta.

Encarou a fila e entrou logo após um menino com a camisa do Batman.

Recebeu um beijo do pai, que retornou à mesa por uns instantes.

E que não demorou a ser chamado pela monitora responsável pelo brinquedo.

O tempo havia se acabado. Mas não tinha quem tirasse a pequena de lá.

Foi conversa, foi diplomacia.

Foi diplomacia, foi conversa.

Nada.

Foi uma fala mais dura. Uma ameaça de castigo.

Nada.

A menina foi retirada sob o uso da força necessária. Julgada e condenada, foi sentenciada a um minuto de pena, sentada numa cadeira.

Não gostou, chorou um bocado. Mas saiu sob fiança, ao pedir desculpas ao papai e ao padrinho, também presente ao espetáculo.

Brincou, correu, riu, brincou, correu, riu.

Em poucos instantes, chegou carinhosa:

“Papai, eu quero ir pro pula pula, por favor…”

“Vai não. Lembra da outra vez?’

“Ah, painho, por favor…”

“E quando a moça mandar você sair?”

“Eu saio”

“Na mesma hora?”

“Na mesma hora”

“E se você não sair?”

“Aí a moça chama você, você vai lá, grita comigo e me bota de castigo”.