Já faz mais de doze meses que o pai e a mãe da menina de três anos não moram mais juntos.

Ela entende, lida bem com a história toda.

Ou faz que entende, faz que lida bem com a história toda.

Sabe que tem duas casas, dois quartos, duas camas. Que convive com maneiras nem tão parecidas (e nem tão diferentes) de ver o mundo, até que crie sua própria.

De vez em quando pergunta: “papai, tu ainda vai namorar com mamãe?”, e faz beicinho com a resposta negativa.

“Mas padrinho namora com madrinha.  Por quê?”

Quer saber porque alguns papais moram com mamães e outros papais não.

Aos poucos, vai entendendo que existem papais sozinhos, mamães sozinhas, papais que (na)moram com titios ou titias. Mamãe que (na)moram com titios ou titias.

Esses dias, estava ela brincando com uma amiguinha de mesma idade.

O papai e a mamãe da amiguinha, casados, tomavam uma cerveja e conversavam alegremente, antes de serem interpelados.

“Vocês são casados?”

“Sim”, responderam os dois, em uníssono-de-surpresa.

“Moram na mesma casa?

“Sim, moramos”.

“E quando é que vão se separar?”