Papai, como era quando tu era criança? Tu brincava com que brinquedo? Morava onde? Tu sabia que eu tava brincando com a minha irmã, e aí eu era uma princesa e eu tinha um vestido vermelho e usava uma coroa e tinha um filho? E que minha amiga do colégio ganhou uma boneca que faz xixi, cocô, bebe água e troca fralda? Esse filme que tá passando na televisão é…

Aos cinco anos de idade, a menina praticamente não consegue ficar calada.

Acorda falando, toma banho cantando, come tagarelando, anda perguntando, assiste televisão questionando e ouve historinha comentando.

Às vezes, insatisfeita com a demora dos adultos, ela mesma responde as próprias perguntas. É um fenômeno.

Aproveitando-se de um momento em que a pequena parecia distraída com um joguinho eletrônico (e dialogando com  o equipamento), o pai fez um desafio:

“Filha, será que você consegue passar um minutinho sem falar? Um minuto só? De relógio?”

A menina, competitiva que só, topou.

Na primeira tentativa, falhou. A segunda foi melhor.

Ficou um, ficou dois, ficou três minutos. Em silêncio, absorta com o bonequinho que fazia voar na tela do game.

Aos sete minutos, usou mímica para perguntar se já tinha conseguido o objetivo e foi congratulada:

“Parabéns, minha filhinha! Você foi fera! Passou sete minutinhos inteirinhos sem falar! Que massa!

A resposta veio rápida:

“Eu continuei conversando, papai. Na minha cabeça.”