ampulheta9hlA menina de três anos vivia uma de suas quase frequentes crises de asma.

E quando ela está em crise, todo mundo está em crise.

A rotina é  ligar pra a médica e perguntar pelo remédio, quase mais ou menos o mesmo, com pequenas mudanças na dosagem.

A parte importante é uma nebulização ‘temperadinha’ com umas drogas bacanas. A pequena não se importa em respirar a fumacinha, mas como cada sessão dura no mínimo vinte minutos, a paciência às vezes acaba antes da medicação.

Dia desses o pai resolveu ajudar contando uma história enquanto o vapor de soro fisiológico apimentado alopaticamente começava a fazer efeito.

Era uma dessas histórias-relâmpago que a gente conta quase sem querer. Eram seis da matina e papai não estava exatamente um Jó.

“Era uma vez, fizeram um monte de coisa e foram felizes para sempre.”

A menina ouviu atentamente, tirou a máscara do nebulizador e pediu com gentileza:

“Papai? Agora conta uma história com mais páginas?”

“…”

“Ou com mais boca?”