Aos cinco anos de idade, a menina é simplesmente linda.

De um sorriso que reflete-se nas paredes mais foscas.

De olhos que acendem-se, de uma alegria que não deixa ninguém indiferente.

De bochechas rosadas, protuberantes. De um cheiro que torna difícil não querer beijar, abraçar.

Às vezes, apertar.

Dia desses o pai não aguentou. Com as duas mãos cheias, agarrou aquele rostinho lindo,  chacoalhando as peles bochechísticas, beicísticas e orelhísticas.

A pequena dava risada e soprava, criando sons, percussionando novidades.

Até que fez-se de séria, num sinal para que o joguinho desse um tempo.

Respirou fundo, olhou para o mais velho e soltou:

“Olha, painho. Não é porque sua filha é uma fofa que tem que aguentar essas brincadeiras, viu?”