A menina aos três anos até que é boa de garfo. Come feijão, macarrão, arroz, carninha. Farinha, claro, que ela é pernambucana.
Mas gosta de aproveitar a hora do almoço e do jantar pra fazer o que mais gosta – que é falarfalarfalar sem parar.
Esses dias tava atracada num prato de espaguete, galinha e molho de tomate. E falava dos colegas, do colégio, das músicas que gostava. Perguntava o que iria fazer mais tarde, se iria brincar, de que iria brincar…
Todo mundo já tinha saído da mesa quando finalmente a última garfada começou a ser mastigada.
Como de costume, nesse momento a menina bate palmas para si mesma, esperando ser acompanhada por quem estiver por perto. Nesse caso, era o papai.
“Ah, minha filha, tá de parabéns, né? Parabéns, parabéns. Comeu tudinho…”
No que ela engoliu, olhou para o prato paterno e respostou. “É, tou. Você também, né, papai? Tá de parabéns! Até repetiu…”
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