chapeuzinho-vermelho cortadaA menina, às vésperas de completar três anos, sempre pede para contar histórias. Não só para dormir, como a qualquer hora do dia.

Podem ser histórias conhecidas, lidas nos livros. Ou as “histórias da cabeça do papai”.

Ao contar a dos livros, é preciso cuidado. Se pular ou acrescentar alguma parte, mudar alguma coisa, o incauto contador pode ser pego e repreendido.

E foi o que papai quis fazer um dia desses, ao contar a aventura de Chapeuzinho Vermelho. Era noite e o objetivo era alongar um pouco mais a saga da menina que iria levar doces para a vovozinha. Verdade é que papai estava com medo de acabar logo e ter que contar outra. É, papai também tem preguiça.

De tão esticado que vinha sendo o relato, a menina adiantou-se tão logo o lobo chegou à casa da vovozinha.

“Pronto, papai. Aí o lobo entrou, tirou a roupa da vovozinha, comeu a vovozinha e vestiu a roupa dela”.

“Isso mesmo, minha filha…”, papai já bocejava.

“Papai? É certo isso? É bonito isso, papai?”, disse como papai sempre diz pra tentar dar lição de moral.

“É, minha filha?”

“É não, né papai? É feio, né? Onde já se viu? Vestir a roupa dos outros…”