Tudo bem, a menina já tinha almoçado.

Estava meio que livre para comer porcarias. Afinal de contas, a gente se preparava para ir ao estádio de futebol e ela já sabe que no jogo do Sport “pode tudo”.

Na mesa, um prato de filé com fritas.

E ela nas fritas. Só nas fritas.

“Não quer uma carninha, minha linda? Tá gostosa…”

“Não, papai. Só batata”.

Mais um tempo e mais uma tentativa.

“Carninha? Tá macia, deliciosa. Você vai gostar”

“Quero não, painho. Quero só a batatinha”.

Antes da sétima tentativa, ela foi quem tomou a iniciativa.

“Sabe, painho? Eu acho carninha ‘eca’”.

“Eca? Que nada. Você adora carninha. Já comeu várias vezes”.

“Comi nada”

“Comeu sim. Você gosta muito de carninha. Você adora carninha. Na verdade, você AMA carninha”, disse o pai, antes de ser interrompido.

“Oxe, pai. Tu tá doido? Tu tá dizendo que eu sou namorada da carninha? Eita!”