Um dos grandes desafios do início do dia com a menina de três anos é a hora de pentear o cabelo. Nos últimos meses tem sido muito exigente, especialmente com o pai – cujas qualidades principais não incluem a habilidade em estética capilar. A preferência tem sido quase sempre um ‘visu’ partidinho no meio, preso com uma fivela ou diadema*. Estilo que mais uma vez papai tentava fazer.

“Pai, será que tu vai fazer do meu jeito? Será que tu vai ser fera? Será que tu vai ser dez?”

“Tomara, minha filha. Papai tá tentando”.

“Pai, o que é ‘tomara’?”

“É quando a pessoa quer que uma coisa aconteça. É um desejo, uma vontade, entende? Dizer ‘tomara’ é dizer que quer que aquilo aconteça. Entende?”

“Ãrrã”.

“…”

O cabelo ficou dez e minutos depois, ambos à mesa para tomar o café da manhã. No prato da menina, papa. O pai vai comer um sanduíche de queijo.

“Tá boa a papa, filha?”

“Tá. O teu tá bom?”

“Não sei. Vamos ver, né?”

“Tomara”.