Não venha dar uma de pudica.

Até você já deu uma olhada naquelas páginas do jornal em que as profissionais da cama anunciam seus serviços.

Você já deve ter visto algumas que se definem como sendo ‘universitárias’.

E talvez você também saiba que, no caso, ‘universitária’ não quer dizer necessariamente que a moça  frequenta um estabelecimento de ensino superior.

No ramo do sexo pago, ‘universitária’ é uma classificação, mais do que uma condição de escolaridade.

Quer dizer moça branca, de cabelos lisos, polida, com noções de etiqueta burguesa que pode, além de te satisfazer na cama, ainda bater um papo.

Mais recentemente, rolou a ‘febre’ do “forró universitário”, encabeçado por uma banda chamada Fala Mansa.

Pra quem ouvisse de olho fechado, o nome daquilo era bem dizer xote.

Mas a classificação ‘universitário’ possivelmente indicava que os rapazes tocadores eram bonitos, arrumados e cheirosos. Ou seja: diferentes dos buchudos esteticamente alternativos dos trios de forró tradicionais.

Não quer necessariamente dizer que quem toca (ou quem escuta) está prestes a se formar em medicina ou engenharia.

Ou seja: é mais ou menos o que fazem as moças do anúncio do jornal.

Hoje me peguei na frente da televisão.

E um locutor com sotaque de aeroporto anunciava um CD de “sertanejo universitário”.

Acho que não preciso ser exatamente um gênio da música pra saber do que o moço falava.

Aliás, depois da multiplicação das faculdades privadas no Brasil, a tendência é que cada vez mais coisas se tornem ‘universitárias’.

Entre nós: bom mesmo era quando o adjetivo se limitava aos currículos e aos tubos de lança perfume.