O jornalista foi cobrir a morte do discreto vereador.

Soube que enterraram o desvivido antes do previsto. Um dia antes do previsto.

Assuntou, assuntou. Não sabia que mal havia levado o edil desta para a outra (melhor ou pior, quem sabe não diz).

Como tem dedo pra isso, escrivinhou o que ouviu falar. Que alguém (que não se sabe quem) desconfiava que o parlamentar tinha partido por conta da doença da vaca louca – que, na boa, nunca soube que dava por essas terras de bodes e galinhas de capoeira.

Dia depois, repórter foi trabalhar, lépido e faceiro. Mal sabia que receberia uma visita mais indesejável do que o plantão da sexta à noite.

Dois moços. Um identificou-se como filho do antigamentado parlamentar.

Não teve conversa. Catabim, catabum, um par de socos atingiram a boca do escriba. Quebrou dente, causou estrago, mas não foi só no rosto do jovem divulgador de fatos.

As porradas baterem no orgulho do trabalhador. Do cara que imagina estar fazendo de tudo para trabalhar bem, pra dizer o que precisa ser dito.

A enfezada prole não sabe o que é parlamentar. Aparentemente insultou-se com a especulação (ou não) sobre a doença do genitor. Talvez sentissem vergonha da possibilidade de o patriarca ter mesmo sido vítima de uma doença com nome de transtorno mental animal.

A mente enlutada apequenou-se e não viu mais que um punho à frente do nariz dos outros. Vacilou no atacado e no varejo.

Se não pagarem por isso, melhor reforçar a segurança dos jornais. Já pensou se todo descontente com as mal escritas se achasse no direito de dar um bombão nos jornalísticos narizes?

Queiram ou não, o episódio vai ficar nos anais da notícia pernambucana.

Assim como os loucos touros, filhos do (que descanse em paz por não ter culpa no episório) finado vereador.