ovodepascoaQuando eu era mais criança um pouquinho, meu sonho de páscoa era ganhar um ovo daqueles grandes.

Eu não sei bem o que era um ovo “grande” naquela época. Mas acho que era um que fosse maior do que a minha cabeça.

Chocólatra desde o berço, o que eu queria era enfiar a cara na guloseima e só parar quando a garganta começasse a queimar (tá ligada que a garganta queima?).

Clarinha tem sete anos. Dia desses, puxou conversa. Plantava verde para colher maduro.

“Tio, eu vou ganhar ovo de páscoa?”

“Claro, vai sim”.

“De quê?”

“Oxente, de chocolate, né?”

“Nãaaaao, tio. De quê?!!”

“E existe outro que não seja de chocolate?”

“Não, né? Mas de quê? Tem da Hello Kitty, da Barbie, do Batman, da Puka, da Polly…”

(“Antigamente era da Lacta, da Garoto, da Nestlé, da Visconti”). Só pensei, não falei. Resolvi entrar na brincadeira.

“Sim, mas sério mesmo. Qual é a diferença entre o ovo da Barbie e o do Batman? O chocolate não tem o mesmo gosto?”

“Tem. Mas cada um vem com um brinquedo. Um vem com um colar, outro com um um relógio, com anel, com mp3…”

Um velho, do tempo em que ovo de chocolate só vinha com mais chocolate dentro. Esse sou eu.

Mas uma coisa não deixa de incomodar.

Quando um brinde completamente inútil começa a ser mais importante do que chocolate (minha gente, é chocolate!), o mundo da gente tá perdido.