Essa semana o programa Roda Vida entrevistou a candidata do PT à presidência da República Dilma Roussef.
Muito legal uma candidata ter a oportunidade de passar por uma experiência dessas. De ser perguntada e poder responder sobre o que pensa, sobre o que vai fazer. Sem a pirotecnia que sempre marca o horário caríssimo gratuito da televisão. Sem a desigualdade provocada pela campanha eleitoral, em que fala mais quem tem mais dinheiro.
No final da entrevista, o apresentador Heródoto Barbeiro deixou claro que isso fazia parte “da série de entrevistas com os candidatos à presidência”. Depois, ele mesmo consertou “com os candidatos que lideram as pesquisas”.
Agora, com muito carinho: isso é R-I-D-I-C-U-L-O.
Então o papel da imprensa é levantar a bola para quem já está por cima?
Então justamente uma emissora que se pretende pública vai dizer quem deve ou não deve ter o direito de expor suas ideias para a população com base exclusivamente em pesquisas de opinião?
E como é que esses candidatos que hoje mal são citados nas pesquisas poderão ter a oportunidade de serem conhecidos pela população, se a eles é negado o acesso aos meios de comunicação? Não estou falando de serem queridos ou votados, mas de serem conhecidos – o que me parece ser um direito básico a todas as pessoas que almejam disputar um cargo eletivo.
Outro dia, um amigo meu jornalista-esquerdista-gente-finista quis me explicar porque é que no jornal onde trabalha só tem vez aqueles que estão por cima.
“Ivan, o espaço é pequeno e a gente tem que priorizar. Quando começa um campeonato de futebol, por exemplo, é claro que o Santo André, com menos resultados e torcida, tem menos espaço que o Corinthians. E claro que, se o Azulão se destacar durante o campeonato, vai conseguir também seu quinhão de mídia”.
A diferença: esse é um dos poucos casos em que a metáfora futebolística não casa com a política. Afinal de contas, nenhuma equipe precisa de opinião pública pra ganhar jogo.
Elayne Bione
5 de July de 2010 às 11:16 am
‘A diferença: esse é um dos poucos casos em que a metáfora futebolística não casa com a política. Afinal de contas, nenhuma equipe precisa de opinião pública pra ganhar jogo.”
Boa, Ivan. Realmentxe!