Essa história aconteceu numa cidade bem longe daqui.
Com pessoas completamente desconhecidas.
Aliás, eu não sei nem como foi que eu fiquei sabendo.
Só sei que foi assim:
Na sala do delegado, já era noite quando a imprensa foi convidada a registrar uma apreensão. O procedimento é corriqueiro e acontece sempre que a polícia acha que tem algo para mostrar.
Nesse dia, eram coisas que haviam sido encontradas com um grupo de assaltantes que teve a carreira interrompida durante um baculejo.
Na mesa da autoridade, bem arrumadinhos estavam três revólveres, quatro telefones e sete cigarros de maconha prontos para o consumo.
Os repórteres perguntavam perguntavam enquanto os fotógrafos clicavam clicavam.
Findos os cliques e interrogações, a polícia já havia guardado o material quando uma equipe de reportagem chegou atrasada.
“Dotô, arruma a mesa de novo pra agente bater a foto, por favor?”
“Porra, aí é foda… Já guardamos…”
“Por favor, dotô? Num instante o senhor arruma e a gente faz o registro”.
O delegado mais uma vez organiza os itens apreendidos. Como de praxe, tudo bem arrumadinho.
Entre um clique e outro, o fotógrafo se intriga:
“Ô, dotô? Não eram sete baseados? Aqui só tem seis…”
O polícia confere. Realmente eram sete. Realmente na mesa agora só havia seis. Momentos de tensão.
Com tranquilidade, o delegado tranca a porta da sala e volta-se para a jornalistada.
“Galera, negócio é o seguinte. Aqui não tem criança. É todo mundo adulto e todo mundo sabe que eram sete cigarros. Vou mandar vir dois agentes aqui pra revistar todo mundo. Melhor devolver logo a parada. Isso aqui é uma delegacia, rapá!”
Os repórteres se entreolham. Engolem seco. Silêncio. O delegado retoma a palavra:
“Então vamos fazer o seguinte. Eu vou apagar a luz e contar até dez. Se quando eu acender, o baseado não estiver de volta no lugar dele, é baculejo geral”.
Dez segundos pareciam dez horas.
“Oito… Nove… Dez!! Vou acender a luz, viu? Vou acender! Se liguem que eu vou acender!”
Luz acesa, todos os olhares voltam-se para a mesa do delegado.
Surpresa geral. A autoridade deixa escapar um sorriso.
“Ah, então agora são oito…”
camila
13 de May de 2010 às 10:58 am
Hahahhaha!
Fantárdego.
Samuca
13 de May de 2010 às 11:52 am
sensacional!
Rogério Tomaz Jr.
13 de May de 2010 às 1:36 pm
FODARALHAÇO!!! Tu tava fotografando ou fazendo pergunta? Nem lembra mais, né?! rsrsrs
julieet
13 de May de 2010 às 4:10 pm
contasse melhor hoje!
gilberto lins
13 de May de 2010 às 6:16 pm
Sei… será que todo jornalista é assim, ou só na ficção? Vamos checar?
Dado
13 de May de 2010 às 7:56 pm
Com aquela equipe limpeza de fotografia do Jornal do Commercio eu apostaria no teu fotógrafo como principal personagem dessa história… E num sei nem quem era
Dado
13 de May de 2010 às 7:57 pm
Viajei. Escrevi como se o texto fosse de João Valadares…
fabio maia
13 de May de 2010 às 10:52 pm
Boa! Bem melhor do que aquele papo cacete de direitos humanos, huahuahua.
da silva
14 de May de 2010 às 8:59 am
e eu já tava achando que tinha sido um dos puliça!
Da Bodega do Ivan: O corno, o delegado e o baseado « Conexão Brasília Maranhão
14 de May de 2010 às 7:23 pm
[...] Saia justa na delegacia [...]