cinema são luís recifeOntem eu posso dizer que fui ao cinema.

Não fui ao xópim, não comprei pipoca a dez reais, não aproveitei a promoção pra sair com um litro de refrigerante.

Fui ao cinema. E que belo cinema.

Depois de três anos de portas fechadas (que pareceram uns 15, na verdade), o cinema São Luiz, agora ‘nacionalizado’ pela gestão pública estadual, voltou à atividade nesse verão.

Minha reestréia na sala foi uma delícia. Ingreso de quatro reais na mão, comi um saquinho (pequeno, como antigamente) de pipoca doce antes de entrar – lá dentro não pode. Simpáticos e sorridentes funcionários atendiam com elegância. Tudo bem, éramos poucos. Num cinema que abriga exatas 995 pessoas, não éramos vinte quando as cortinas (sim! as cortinas!!!) se abriram para o filme começar.

À minha frente, um senhor já meio gasto, com roupas já bem gastas, segurava uma capanga pra lá de gasta. Entrou e saiu andando com dificuldade, sozinho, calado. Durante a exibição de “O Homem que Engarrafava Nuvens”, não tirou os olhos da tela. Vontade de puxar conversa, mas não queria incomodar aquele senhor que, pela pinta, jamais entraria num Multiplex. Mas no suntuoso Seu Lula, seus quatro reais valeram uma fortuna.

Mais no gargarejo, vi um dos Irmãos Eventos. Um senhor de barba branca que, com seu falecido irmão gêmeo, tornou-se conhecido por penetrar em tudo o que é festa de bacana do Recife nas décadas de 80 e 90. Penetravam tanto que começaram a ser convidados pela fina flor. Afinal de contas, se eles estavam, a festa tava boa.

Então a festa tava boa. Até o Irmão Evento foi curtir o filme sobre Humberto Teixeira no majestoso São Luiz.

O filme até que poderia ser melhor. O cinema, dificilmente.