Dizem que Valentim era um danado.

Lá no início dos séculos e das igrejas (lá pelo ano duzentosipouco), o então bispo celebrava casamentos escondidamente, mesmo quando o imperador dizia que não podia. Havia quem acreditasse que homens solteiros seriam melhores guerreiros, mas Valentim não tava nem aí. Gostava tanto da união matrimonial que, há quem diga, ele mesmo casou-se.

A prática casamenteira rendeu a ele uma prisão e uma pena de morte. Mesmo encarcerado, parece que se apaixonou por uma boyzinha cega e fez-lhe ver muito mais do que cores e formas.

Quando o amor romântico começou a bombar na Europa, os ingleses adotaram a data de sua morte, 14 de fevereiro, para celebrar a união amorosa e tal e coisa. Soma-se o fato de que a data é a portinha da primavera nas bandas do hemisfério Norte. É justamente quando as pessoas começam a deixar os casacos em casa e passam mais tempo na rua conhecendo-se e namorando-se. Naturalmente, em seu tempo, a data chegou nos Estados Unidos e fez muita gente ganhar dinheiro vendendo cartões, flores e chocolates.

O Brasil não sabia nada disso, mas tudo mudou no final da década de quarenta. Não se sabe se convidado ou auto-nomeado, o publicitário João Dória* achou de importar a data para dar uma chacoalhada no comércio de São Paulo. Inspirado nas tradições locais, mudou a data para o 12 de junho – véspera de Santo ‘Casamenteiro’ Antônio.

Parece que a invenção não pegou de primeira, mas sabe como são esses publicitários. Naturalmente, insistiram. Nada como um bom investimento em mídia não dê conta.

O resto da história você já sabe e acompanha através do extrato do cartão de crédito. Xópins cheios de gente, lojas de perfume tirando o pé da lama. O sucesso do empreendimento você percebe pelo tamanho das filas em restaurantes e motéis do oiapocauchuí.

E aí?

Aí que é massa a galera toda romanticazinha, fazendo suas declarações, inventando romantismos e reacendendo velhas paixões.

Mas também é bacana saber como e porque foi criada essa brincadeira toda.

 

*conhece o Júnior? Pronto, essse é o pai.

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