Roberto tem trinta e pouco anos. Aparenta trinta e tantos.
Há uma década, deixou o sertão paraibano em direção ao mar. Primeiro, foi João Pessoa. Pouco depois, foi parar em Natal, onde fez e faz um pouco de tudo.
Ainda solteiro, passa seus dias na praia de Ponta Negra empurrando um carrinho de madeira. Vende CDs genéricos de estilos ecléticos, embora perceba-se seu gosto especial por um tipo muito especial de forró (sic) em que os vocalistas parecem sempre ter alguma coisa incomodando suas gargantas.
Roberto tem uma conversa boa, fácil.
Perguntei como estava o processo da sucessão governamental no Rio Grande do Norte. Roberto coçou a cabeça.
“Olha, eu não acompanho muito essas coisas, sabe? Como sou da Paraíba…”
“Sei, e para presidente? Já sabe em quem vai votar?”, insisti.
“Rapaz… Ainda não parei para pensar nisso. É esse ano, né? Quem são os candidatos mesmo?”
“Dilma Roussef, José Serra, Marina Silva e Plínio Arruda. Até agora”.
Franziu a testa como se eu estivesse escalando a seleção alemã campeã mundial em 1990.
“Rapaz… Sei não, visse?”
“Indeciso?”
“É. Pode dizer então que eu tou indeciso”.
Marília
7 de June de 2010 às 1:28 pm
Há muitos Robertos espalhados por aí. Infelizmente.
Thiago
18 de June de 2010 às 3:49 pm
É. Roberto tem de TÚIA.