Tá certo que eu cheguei atrasado.
Tá certo que a Feira de Literatura Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto) começou da quinta para a sexta.
E eu só bati meu cartão no sábado à tade.
Também tá certo que, chegando tarde, preferi passar o resto do sol bebendo cerveja em Maracaípe. Em excelente companhia, registre-se.
Mas tem gente que não pode ver nada sem dar um pitaco.
Eu, por exemplo.
Fliporto são falas, mesas ‘redondas’(?), debates, palestras, recitais, exposições, lançamento de livros, festas, essas coisas.
Boa parte da programação acontece no Centro de Convenções do Hotel Armação, que tecnicamente é em Cupe. Não dá pra ir andando.
Você paga R$ 10,00 pra participar de um dia de programação. Ganha uma camiseta, uns livretos. Depois ninguém quer ver o bilhete-ingresso.
Num canto escondido da Vila, livrarias mostravam o que tinham para vender em stands tristes.
Acabei passando por uns três, quatro painéis-conversas-palestras-debates.
Numa delas, oito escritores africanos tinham pouco mais de uma hora para dividir.
Tinha gente grande, do tamanho de Marcelino dos Santos e Pepetela.
O que eu queria mesmo era beber com eles. Chamá-los para repartir uns caranguejos, lavar os dedos com água do mar.
Acho que se eu cochichasse direitinho, Marcelino iria. O poeta-revolucionário de Moçambique bem que tem cara de quem gosta de um papo furado na beira da praia.
Entre coleções de pequenos momentos, duas lágrimas me caíram dos olhos. Sim, ando meio bobo.
Uma com a fala doce de Paulina Chiziane (do retrato aí em cima), primeira mulher moçambicana a publicar um romance. Acho até que ela não falou nada de tão emocionante. Só que, como falei, ando meio bobo.
A segunda já foi no final, com Thiago de Melo (do retrato aí embaixo). Todo de branco, arrebatou o microfone do mestre de cerimônias para dizer um poema.
Aí eu já não estava mais sozinho.