bundatvNo aniversário do meu amigo Chaps o assunto era um só.

Uma moça, na Bahia, que subiu num palco numa festa de pagode (sic).

E foi fazer uma coreografia que, de acordo com o que disse um dos entendidos, era comum nessa festa, nos show dessa banda.

A coisa é mais ou menos assim. A moça se abaixa, levanta a saia e o cantor (sic) da banda pega a calcinha dela e puxa, de modo que fique parecendo um “fio dental”.

Enquanto o moço faz isso, a moça fica fazendo o movimento de quem está… Eh…. Trepando.

Uma tuia de gente sacou o celular e fez vídeos a valer, que se multiplicam no ciberespaço e tornam-se impossíveis de serem eliminados.

Só que a moça é professora da educação infantil.

A conversa chegou na escola e quem dançou foi o emprego dela.

Imagino que o diretor não viu outra alternativa. Se não botasse a moça pra correr, os mesmos pais que distribuíram e riram do vídeo na grande rede iriam pedir a cabeça do burocrata. Imagino que a maioria de nós, na posição do gestor, teria feito a mesma coisa.

O assunto foi martelado em alguns programas de tevê esses últimos dias, em matérias muito parecidas.

Mostram um pedaço do vídeo, mostram o diretor, mostram um ‘povo fala’ com opiniões de pessoas que concordam e discordam da demissão da professora.

Se é pra achar alguma coisa, eu acho que, entre quatro paredes, sozinho, em dupla ou em grupo, toda pessoa adulta tem o direito de fazer o que quiser.

Que a desgraça da moça foi o tanto de imagens que fizeram e espalharam dela (imagino que sem sua autorização, mas possivelmente com seu – talvez ébrio – consentimento).

Não conheço a jovem, mas duvido que teria permitido ou assinado qualquer documento que permitisse a gravação e a exposição de seu divertimento erótico. É curioso que os atiradores de pedras que criticam a moral da professora não percebem também sua condição de vítima de violação de seu direito à imagem (mesmo tendo subido ao palco por livre e espontânea vontade, mesmo que tenha visto a galera de telefone em punho).

Cá pra mim, fico até pensando em outras coisas que as matérias (pelo menos ainda) não mostraram.

Primeiro de tudo, que festa é essa em que rola esse tipo de coreografia (sic)? Nesses shows entram adolescentes ou trata-se de uma banda que toca apenas para adultos? Eles fazem micaretas? A coreografia se repete nas ruas, com a criançada pegando nas calcinhas umas das outras? A banda se apresenta na televisão? Em que horário?

Quem tem medo dessas perguntas?

Antes havia as moças que seguravam o tchan. Depois desciam na boca da garrafa. E até aí era tudo normal, tudo legal, tudo inocente. “Uma manifestação da cultura”, havia quem dissesse. Agora tão literalmente tirando a roupa das meninas no palco.

Quer dizer, isso não é nem novidade. Há uns dez anos eu entrei num teatro para ver um show de sexo explícito. Dois casais transavam e a galera pagava pra entrar e assistia. Tinha quem ficava exitado. Tinha quem achava engraçado. Tinha quem ficava tirando onda pra ver se tirava a concentração dos artistas. Uma interessante experiência cultural.

Em tempo: não era permitida a entrada de crianças, nem de máquinas de fotografar.