Essa é uma das épocas mais cabulosas do ano.
Essa quinta-feira, 30 de abril, é o último dia para declarar o imposto de renda.
Quem é assalariado e atua pela Convençã das Leis do Trabalho (CLT) nem tem muita escolha. O maior taco do imposto é retido ‘na fonte’ e muitas vezes até sobra uma laminha de reembolso.
Quem trabalha na informalidade ou recebe de outra forma acaba tendo uma margem de manobra um pouco maior.
A declaração do IR é uma espécie de confessionário. Só que ao invés de avesmarias e painossos, o ‘pecador’ se penitencia mesmo é na conta bancária.
E aí atire a primeira nota fiscal quem não conhece ninguém que ‘deslisa’ na hora de se entender com o Leão. Uma receita médica aqui, um dinheirinho por fora acolá…
Argumentos para não pagar não faltam. O dinheiro costuma ser mal utilizado, os políticos são corruptos, patati patatá. Marcelo Tas, tido como um jornalista muderno e questionador, sugere que hoje é o dia “dos otários”, em referência ao famigerado imposto.
Menos, Tas, menos.
Cá pra nós, com mais imposto sonegado você acha mesmo que vai diminuir a roubalheira? Mais fácil descontarem na merenda escolar, no transporte público, no salário dos médicos, nos remédios, nas políticas para a juventude…
Claro que ninguém gosta de pagar. Nem eu nem você gostamos. Posso apostar.
Mas a gente tem que botar na cabeça que é com o dinheiro dos impostos que o estado funciona. E se a gente quer ver um estado funcionando, não pode se esconder na hora da conta.
Se não me engano, o país em que se paga maior imposto de renda é a Dinamarca. Pergunta se o povo de lá está achando ruim (aliás, pergunta não. Capaz de alguém dizer que está).
A verdade é que, ao invés de ficar achando ruim cumprir com nossa obrigação de cidadã e cidadão, a gente devia mesmo era se esforçar um pouco mais em fiscalizar o uso dessa grana.
Você que está aí ligando pra o amigo dentista, pedindo um recibo fajuto, por acaso já foi para alguma audiência pública (municipal, estadual ou federal) em que se discutiu, por exemplo, a Lei Orçamentária Anual? Ou, exercendo sua cidadania, participou de alguma reunião do Orçamento Participativo – se isso existe no seu município? Já escreveu uma carta para algum vereador reclamando de um gasto mal feito ou uma obra mal realizada? Já assistiu a uma reunião do conselho de alguma escola pública?
Não? Não para todas as perguntas?
Então vale a pena dar uma relida na declaração do IR antes de enviar, viu?
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