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	<title>Bodega &#187; AnaCrônicas</title>
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	<description>Um pouco de tudo</description>
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		<title>Dez maneiras de se reconhecer um gordo</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 12:58:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[AnaCrônicas]]></category>
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		<category><![CDATA[gordo]]></category>
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		<description><![CDATA[Nós, os gordos, estamos por toda a parte. E não pense que pode nos reconhecer apenas pelo nosso shape rotundo e pelos nossos pneuzinhos. As aparências enganam. Além do que, mais que uma classificação estética, ser gordo é um comportamento e &#8211; porque não dizer &#8211; um estado de espírito. Há gordos perfeitamente disfarçados por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/gula.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3262" title="gula" src="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/gula.jpg" alt="gula" width="400" height="314" /></a>Nós, os gordos, estamos por toda a parte. E não pense que pode nos reconhecer apenas pelo nosso shape rotundo e pelos nossos pneuzinhos. As aparências enganam. Além do que, mais que uma classificação estética, ser gordo é um comportamento e &#8211; porque não dizer &#8211; um estado de espírito. Há gordos perfeitamente disfarçados por traz de uma magreza adquirida através de felizardos metabolismos ou espartanas dietas. Há pessoas obesas que, bem observadas, não têm nenhuma característica gorda além do próprio peso &#8211; dificilmente se enquadrando como um de nós.</p>
<p>Seguem abaixo dez maneiras de se reconhecer um legítimo gordo (ou uma legítima gorda, é claro). Termine seu sanduíche e leia com fartura.</p>
<p>1. Quando chega em casa, o gordo vai primeiro na cozinha antes de qualquer outro cômodo. Quando acorda à noite para fazer xixi, também não deixa de abrir a geladeira, nem que seja pra perceber e reclamar que não tem nada para comer;</p>
<p>2. Ao acordar, a primeira coisa que o gordo se pergunta é &#8220;o que é que tem para o café&#8221;. E, claro, antes de dar a última mastigada na refeição, já tem o almoço praticamente resolvido;</p>
<p>3. Quando um magro olha para uma árvore bem copada, normalmente pensa: &#8220;que árvore bonita, que sombra legal, que folhas vistosas&#8221;. O gordo pensa logo: &#8220;que fruta será que ela dá?&#8221;;</p>
<p>4. Um gordo sempre diminui a velocidade de caminhada ao passar por uma barraquinha de churro, acarajé, pipoca, espetinho ou tapioca. Nem que seja só para sentir o cheiro;</p>
<p>5. Ao sentar à mesa de um bar, o gordo não costuma demorar mais de cinco minutos para pedir o cardápio dos petiscos;</p>
<p>6. Gordos gostam de assistir a programas de culinária. Não para aprender mais sobre gastronomia, mas porque ficam contentes ao ver comida na televisão;</p>
<p>7. O gordo não consegue olhar para um boi, um cabrito ou um porco sem imaginá-los na brasa de um belo churrasco;</p>
<p>8. Um gordo lê receitas como se fossem literatura;</p>
<p>9. Para um gordo (ou uma gorda), a cozinha regional é a parte mais importante de qualquer roteiro turístico. Para nós, Argentina = churrasco+vinho, México = tacos+burritos+tequila, Japão = sushi+saquê, Itália = espaguete+ravioli.</p>
<p>10. Quando come algo salgado, o gordo fica com vontade de beliscar uma  coisinha doce. Ao terminar, já procura uma besteirinha salgada para  &#8216;equalizar&#8217; o açúcar. E assim por diante.</p>
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		<title>A alegria dos bons tempos de fartura</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 03:53:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[AnaCrônicas]]></category>
		<category><![CDATA[comida]]></category>
		<category><![CDATA[seca]]></category>
		<category><![CDATA[Zé do Mestre. Salgueiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Com quase 80 anos de idade nas costas, o artesão Zé do Mestre é uma das maiores referências da arte do couro em todo o Sertão. No sítio onde vive até hoje, na zona rural de Salgueiro, suas mãos habilidosas ainda desfilam pelas peças confeccionando chapéus e gibões como o que Luís Gonzaga tornou famoso.
Os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/zedomestre.jpeg"><img class="alignnone size-full wp-image-3245" title="zedomestre" src="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/zedomestre.jpeg" alt="zedomestre" width="400" height="266" /></a>Com quase 80 anos de idade nas costas, o artesão Zé do Mestre é uma das maiores referências da arte do couro em todo o Sertão. No sítio onde vive até hoje, na zona rural de Salgueiro, suas mãos habilidosas ainda desfilam pelas peças confeccionando chapéus e gibões como o que Luís Gonzaga tornou famoso.</p>
<p>Os visitantes, recebe sempre com um sorriso imenso e olhos brilhantes. Oferece assento e começa a contar suas histórias, como a da pedra que &#8220;plantou&#8221; em seu quintal e que cresce como planta. &#8220;Só não tenho mais sementes&#8221;.</p>
<p>Ao reparar nos quilos a mais de uma moça, sorri e conta do passado nada feliz.</p>
<p>&#8220;Minha filha, eu nasci no ano em que mais se morreu gente por conta da fome. Naquele tempo era a década de trinta e por aqui todo mundo era magrinho. Magrinho magrinho mesmo. Naquele tempo, só tinha dois tipos de gente: os que não tinham comida e os que passavam fome. Também não tinha estrada e a picada da miséria passava aqui pertinho. A gente via a carestia passar aqui mesmo, na porta do sítio, com as crianças magrinhas e o monte de caveira que ia ficando no meio do caminho.&#8221;</p>
<p>E continua, muda a expressão para mostrar seu contentamento:</p>
<p>&#8220;Agora eu chega fico emocionado. Dia desses fui na venda e vi uma menina no meio do caminho. Ela chega vinha rechonchuda, desse tamanho. Perguntei a idade dela. Ela fez &#8216;17 anos&#8217;. Perguntei o peso. Ela disse &#8216;126&#8242;. Veja que coisa linda, né, minha filha? Uma menina de 17 anos de idade, já com 126 quilos. Me diga se isso aqui hoje em dia não está uma beleza?!!&#8221;</p>
<p>** A bela foto do mestre é cortesia da querida amiga e companheira de viagem Daniela Nader.</p>
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		<title>Dos diferentes saberes e pensares</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 12:06:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[AnaCrônicas]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[campo]]></category>
		<category><![CDATA[Eddy Polo]]></category>

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		<description><![CDATA[Eddy Polo é um artista plástico boa praça que vive em Pombos, no agreste pernambucano.
Entre uma escultura e outra, procura se integrar com a comunidade. Participa de discussões com associações locais e busca trocar experiências e dar sua contribuição com oficinas e  toques sobre arte, artesanato y otras cositas.
Dia desses, estava com um grupo de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://eddypolo.blogspot.com/" target="_blank"><a href="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/eddy.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-3231" title="eddy" src="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/eddy-150x150.jpg" alt="eddy" width="150" height="150" /></a>Eddy Polo</a> é um artista plástico boa praça que vive em Pombos, no agreste pernambucano.</p>
<p>Entre uma escultura e outra, procura se integrar com a comunidade. Participa de discussões com associações locais e busca trocar experiências e dar sua contribuição com oficinas e  toques sobre arte, artesanato y otras cositas.</p>
<p>Dia desses, estava com um grupo de agricultores. Discutia as habilidades de cada um  e percebeu uma senhora bem senhora mesmo. Toda curvadinha, ela ouvia a tudo e não falava nadica de nada. O artista provocou.</p>
<p>&#8220;E a senhora? Sabe fazer o que?&#8221;</p>
<p>&#8220;Sei fazer nada, não senhor&#8221;, disse, com uma gotinha de voz, a velha camponesa.</p>
<p>&#8220;Nada?&#8221;, Eddy insistiu.</p>
<p>&#8220;Sei fazer nada, não senhor&#8221;, repetiu.</p>
<p>O artista não se deu por vencido.</p>
<p>&#8220;Alguma coisa a senhora sabe fazer. A senhora sabe plantar, não sabe?&#8221;</p>
<p>&#8220;Ah, plantar eu sei&#8221;, deu a deixa para uma chuva de perguntas sobre a melhor época de semear e de colher. Sobre as melhores sementes, as melhores terras. Sobre as maneiras de se prever chuva e sol, de se armazenar os grãos&#8230;</p>
<p>A velhinha respondia a tudo com desenvoltura. Finalmente percebia o tanto de conhecimento que guardava, o tanto de coisa que sabia fazer e dizer. Eddy empolgou-se:</p>
<p>&#8220;Minha velha, agora me diga. E para dor de cabeça? O que é que é bom de tomar?&#8221;</p>
<p>A camponesa pensou meio segundo e respondeu amável:</p>
<p>&#8220;Comprimido!&#8221;</p>
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		<title>O ser humano e as prioridades da vida moderna</title>
		<link>http://www.bodega.blog.br/anacronicas/o-ser-humano-e-as-prioridades-da-vida-moderna/</link>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 12:21:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[AnaCrônicas]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Bicho interessante o ser humano.
Animal cheio de querências de desejâncias.
Ter internet sem fio em todo canto pra poder saber das notícias e interagir com o mundo.
Poder trabalhar em casa ou no botequim. Encurtar-se as distâncias. Ficar por dentro do que rola de Wall Street a Bollywood.
Visitar mil sites e blogs e saber que pra seguir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/social-pillows2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3221" title="social-pillows2" src="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/social-pillows2.jpg" alt="social-pillows2" width="400" height="210" /></a>Bicho interessante o ser humano.</p>
<p>Animal cheio de querências de desejâncias.</p>
<p>Ter internet sem fio em todo canto pra poder saber das notícias e interagir com o mundo.</p>
<p>Poder trabalhar em casa ou no botequim. Encurtar-se as distâncias. Ficar por dentro do que rola de Wall Street a Bollywood.</p>
<p>Visitar mil sites e blogs e saber que pra seguir Ashton Kutcher no Twitter não precisa nem falar inglês.</p>
<p>Abrir uma conta no Orkut, outra no Facebook e não ficar atrás no MySpace ou em qualquer outra mídia social que venha a surgir daqui a duas horas e vinte três minutos.</p>
<p>Afinal de contas, a gente quer sacar de história cotidiana, geografia moderna, politica internacional, física quântica e teletransporte.</p>
<p>E, antes de mais nada e mais do que tudo, o ser humano precisa saber, com a máxima urgência e relevância, quem está comendo quem no mundo inteiro.</p>
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		<title>Quem é mais? Quem faz mais? Quem dá mais?</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 14:32:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[AnaCrônicas]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Essa semana o programa Roda Vida entrevistou a candidata do PT à presidência da República Dilma Roussef.
Muito legal uma candidata ter a oportunidade de passar por uma experiência dessas. De ser perguntada e poder responder sobre o que pensa, sobre o que vai fazer. Sem a pirotecnia que sempre marca o horário caríssimo gratuito da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/televisao-voando.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3200" title="televisao voando" src="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/televisao-voando.jpg" alt="televisao voando" width="400" height="266" /></a>Essa semana o programa Roda Vida entrevistou a candidata do PT à presidência da República Dilma Roussef.</p>
<p>Muito legal uma candidata ter a oportunidade de passar por uma experiência dessas. De ser perguntada e poder responder sobre o que pensa, sobre o que vai fazer. Sem a pirotecnia que sempre marca o horário <span style="text-decoration: line-through;">caríssimo</span> gratuito da televisão. Sem a desigualdade provocada pela campanha eleitoral, em que fala mais quem tem mais dinheiro.</p>
<p>No final da entrevista, o apresentador Heródoto Barbeiro deixou claro que isso fazia parte &#8220;da série de entrevistas com os candidatos à presidência&#8221;. Depois, ele mesmo consertou &#8220;com os candidatos que lideram as pesquisas&#8221;.</p>
<p>Agora, com muito carinho: isso é R-I-D-I-C-U-L-O.</p>
<p>Então o papel da imprensa é levantar a bola para quem já está por cima?</p>
<p>Então justamente uma emissora que se pretende pública vai dizer quem deve ou não deve ter o direito de expor suas ideias para a população com base exclusivamente em pesquisas de opinião?</p>
<p>E como é que esses candidatos que hoje mal são citados nas pesquisas poderão ter a oportunidade de serem conhecidos pela população, se a eles é negado o acesso aos meios de comunicação? Não estou falando de serem queridos ou votados, mas de serem conhecidos &#8211; o que me parece ser um direito básico a todas as pessoas que almejam disputar um cargo eletivo.</p>
<p>Outro dia, um amigo meu jornalista-esquerdista-gente-finista quis me explicar porque é que no jornal onde trabalha só tem vez aqueles que estão por cima.</p>
<p>&#8220;Ivan, o espaço é pequeno e a gente tem que priorizar. Quando começa um campeonato de futebol, por exemplo, é claro que o Santo André, com menos resultados e torcida, tem menos espaço que o Corinthians. E claro que, se o Azulão se destacar durante o campeonato, vai conseguir também seu quinhão de mídia&#8221;.</p>
<p>A diferença: esse é um dos poucos casos em que a metáfora futebolística não casa com a política. Afinal de contas, nenhuma equipe precisa de opinião pública pra ganhar jogo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>No Mundo da Lua &#8211; Diálogos matemáticos à hora do almoço</title>
		<link>http://www.bodega.blog.br/anacronicas/no-mundo-da-lua-dialogos-matematicos-a-hora-do-almoco/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Jun 2010 13:23:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[AnaCrônicas]]></category>
		<category><![CDATA[No mundo da Lua]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi entre uma garfada e outra.
Sentada à mesa, olhando para o prato com purê, macarrão, galinha e farofa, a menina de três anos matutava.
Matutou, matutou e verbalizou:
&#8220;Mainha?&#8221;
&#8220;Diga, minha filha&#8221;
&#8220;Cinco mais quatro é igual a seis, né?&#8221;
&#8220;Não, meu amor. Cinco mais quatro é igual a nove.&#8221;
De bate-pronto, sem perder a confiança, a resposta foi rápida:
&#8220;Ah, tá. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/matematica.gif"><img class="alignnone size-full wp-image-3185" title="matematica" src="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/matematica.gif" alt="matematica" width="400" height="209" /></a>Foi entre uma garfada e outra.</p>
<p>Sentada à mesa, olhando para o prato com purê, macarrão, galinha e farofa, a menina de três anos matutava.</p>
<p>Matutou, matutou e verbalizou:</p>
<p>&#8220;Mainha?&#8221;</p>
<p>&#8220;Diga, minha filha&#8221;</p>
<p>&#8220;Cinco mais quatro é igual a seis, né?&#8221;</p>
<p>&#8220;Não, meu amor. Cinco mais quatro é igual a nove.&#8221;</p>
<p>De bate-pronto, sem perder a confiança, a resposta foi rápida:</p>
<p>&#8220;Ah, tá. Então eu quase acertei.&#8221;</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>À luz de dúvidas e angústias</title>
		<link>http://www.bodega.blog.br/anacronicas/a-luz-de-duvidas-e-angustias/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Jun 2010 12:16:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[AnaCrônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Suor]]></category>

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		<description><![CDATA[Em conversas de  bar, as dúvidas se repetem.
Somos os seres humanos bons em nossa essência? Gostaríamos de fato de  viver numa sociedade mais justa, de oportunidades e direitos iguais para todas as pessoas?
Estaríamos dispostos a pagar o preço dessa igualdade? Você daria um carro, um apartamento se tivesse a certeza absoluta que isso faria com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em conversas de  bar, as dúvidas se repetem.</p>
<p>Somos os seres humanos bons em nossa essência? Gostaríamos de fato de  viver numa sociedade mais justa, de oportunidades e direitos iguais para todas as pessoas?</p>
<p>Estaríamos dispostos a pagar o preço dessa igualdade? Você daria um carro, um apartamento se tivesse a certeza absoluta que isso faria com que todas as crianças, por exemplo, teriam educação de qualidade garantida?</p>
<p>Impostos. Pagá-los ou não pagá-los. Pagar sabendo que está sendo mal utilizado ou deixar de pagar e tornar-se sonegador igual às empresas que você tanto condena?</p>
<p>Eleições? Mais uma vez, votar no menos ruim. Acompanhar as milionárias campanhas que, de uma forma ou de outra, vão mesmo sair do seu bolso.</p>
<p>Na boa, ainda bem que existe a Copa do Mundo. Bora Brasil!</p>
]]></content:encoded>
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		<title>No Mundo da Lua &#8211; uma palavra de cada vez</title>
		<link>http://www.bodega.blog.br/anacronicas/no-mundo-da-lua-uma-palavra-de-cada-vez/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 Jun 2010 00:45:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[AnaCrônicas]]></category>
		<category><![CDATA[No mundo da Lua]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dos grandes desafios do início do dia com a menina de três anos é a hora de pentear o cabelo. Nos últimos meses tem sido muito exigente, especialmente com o pai &#8211; cujas qualidades principais não incluem a habilidade em estética capilar. A preferência tem sido quase sempre um &#8216;visu&#8217; partidinho no meio, preso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos grandes desafios do início do dia com a menina de três anos é a hora de pentear o cabelo. Nos últimos meses tem sido muito exigente, especialmente com o pai &#8211; cujas qualidades principais não incluem a habilidade em estética capilar. A preferência tem sido quase sempre um &#8216;visu&#8217; partidinho no meio, preso com uma fivela ou diadema*. Estilo que mais uma vez papai tentava fazer.</p>
<p>&#8220;Pai, será que tu vai fazer do meu jeito? Será que tu vai ser fera? Será que tu vai ser dez?&#8221;</p>
<p>&#8220;Tomara, minha filha. Papai tá tentando&#8221;.</p>
<p>&#8220;Pai, o que é &#8216;tomara&#8217;?&#8221;</p>
<p>&#8220;É quando a pessoa quer que uma coisa aconteça. É um desejo, uma vontade, entende? Dizer &#8216;tomara&#8217; é dizer que quer que aquilo aconteça. Entende?&#8221;</p>
<p>&#8220;Ãrrã&#8221;.</p>
<p>&#8220;&#8230;&#8221;</p>
<p>O cabelo ficou dez e minutos depois, ambos à mesa para tomar o café da manhã. No prato da menina, papa. O pai vai comer um sanduíche de queijo.</p>
<p>&#8220;Tá boa a papa, filha?&#8221;</p>
<p>&#8220;Tá. O teu tá bom?&#8221;</p>
<p>&#8220;Não sei. Vamos ver, né?&#8221;</p>
<p>&#8220;Tomara&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Eu quero pra mim o que eu quero pra você</title>
		<link>http://www.bodega.blog.br/anacronicas/eu-quero-pra-mim-o-que-eu-quero-pra-voce/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Jun 2010 13:57:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[AnaCrônicas]]></category>
		<category><![CDATA[desejos]]></category>
		<category><![CDATA[listas]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu quero pra mim.
Dormir até acordar. Tomar sorvete num dia quente e sentir um ventinho gostoso no rosto para aliviar o calor.
Amar quando quiser amar. Quem quiser amar. Do jeito que quiser amar. Onde quiser amar.
Tocar quando quiser tocar. Abraçar quando quiser abraçar.
Querer muito abraçar.
Comer sem engordar, jejuar sem emagrecer.
Correr pra poder suar e depois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/flores.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3167" title="flores" src="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/flores.jpg" alt="flores" width="400" height="141" /></a>Eu quero pra mim.</p>
<p>Dormir até acordar. Tomar sorvete num dia quente e sentir um ventinho gostoso no rosto para aliviar o calor.</p>
<p>Amar quando quiser amar. Quem quiser amar. Do jeito que quiser amar. Onde quiser amar.</p>
<p>Tocar quando quiser tocar. Abraçar quando quiser abraçar.</p>
<p>Querer muito abraçar.</p>
<p>Comer sem engordar, jejuar sem emagrecer.</p>
<p>Correr pra poder suar e depois tomar um banho daqueles de festa, em que se lava bem atrás das orelhas e dos joelhos.</p>
<p>Que se sai do banheiro com cheiro de sabonete.</p>
<p>Quero trabalhar e ganhar direitinho sem ter que para isso precisar contribuir para a degradação do meio ambiente, sejam plantas, bichos, ou pessoas (que também são bichos, mas um pouco diferentes).</p>
<p>Quero dizer &#8220;fiz porque quis&#8221; ao invés de &#8220;fiz porque precisei&#8221;.</p>
<p>De vez em quando chorinho, de vez em quando sambinha, de vez em quando valsinha, roqueziho, forrozinho, marchinha, bossinha.</p>
<p>Um pouco de torpor pra ficar sorrindo de bobo, olhando para o mundo e gostando do que vejo.</p>
<p>Quero pra mim, pra você, pro seu vizinho, pra sua família, pro rapaz que inventa, que constrói e que lava carros.</p>
<p>E até pra Benjamin Natanyahu.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Um causo de Natal (ou: Roberto, um brasileiro)</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 16:15:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[AnaCrônicas]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>
		<category><![CDATA[voto]]></category>

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		<description><![CDATA[Roberto tem trinta e pouco anos. Aparenta trinta e tantos.
Há uma década, deixou o sertão paraibano em direção ao mar. Primeiro, foi João Pessoa. Pouco depois, foi parar em Natal, onde fez e faz um pouco de tudo.
Ainda solteiro, passa seus dias na praia de Ponta Negra empurrando um carrinho de madeira. Vende CDs genéricos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/O-Analfabeto-Politico.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3160" title="O-Analfabeto-Politico" src="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/O-Analfabeto-Politico.jpg" alt="O-Analfabeto-Politico" width="400" height="159" /></a>Roberto tem trinta e pouco anos. Aparenta trinta e tantos.</p>
<p>Há uma década, deixou o sertão paraibano em direção ao mar. Primeiro, foi João Pessoa. Pouco depois, foi parar em Natal, onde fez e faz um pouco de tudo.</p>
<p>Ainda solteiro, passa seus dias na praia de Ponta Negra empurrando um carrinho de madeira. Vende CDs genéricos de estilos ecléticos, embora perceba-se seu gosto especial por um tipo muito especial de forró (sic) em que os vocalistas parecem sempre ter alguma coisa incomodando suas gargantas.</p>
<p>Roberto tem uma conversa boa, fácil.</p>
<p>Perguntei como estava o processo da sucessão governamental no Rio Grande do Norte. Roberto coçou a cabeça.</p>
<p>&#8220;Olha, eu não acompanho muito essas coisas, sabe? Como sou da Paraíba&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;Sei, e para presidente? Já sabe em quem vai votar?&#8221;, insisti.</p>
<p>&#8220;Rapaz&#8230; Ainda não parei para pensar nisso. É esse ano, né? Quem são os candidatos mesmo?&#8221;</p>
<p>&#8220;Dilma Roussef, José Serra, Marina Silva e Plínio Arruda. Até agora&#8221;.</p>
<p>Franziu a testa como se eu estivesse escalando a seleção alemã campeã mundial em 1990.</p>
<p>&#8220;Rapaz&#8230; Sei não, visse?&#8221;</p>
<p>&#8220;Indeciso?&#8221;</p>
<p>&#8220;É. Pode dizer então que eu tou indeciso&#8221;.</p>
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