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	<title>Bodega &#187; NaReal</title>
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	<description>Um pouco de tudo</description>
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		<title>Alter do Chão &#8211; olhe enquanto dá</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 21:51:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A foto é de Alter do Chão, uma prainha às margens do Rio Tapajós, no município de Santarém, Pará.
A areia aparece sempre no verão e é quando a galera local e gringa chega para visitar e curtir essa que já foi considerada a praia fluvial mais bonita do mundo.
Só que no II Plano de Aceleração [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/DSC02525.JPG"><img class="alignnone size-full wp-image-3255" title="DSC02525" src="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/DSC02525.JPG" alt="DSC02525" width="400" height="225" /></a>A foto é de Alter do Chão, uma prainha às margens do Rio Tapajós, no município de Santarém, Pará.</p>
<p>A areia aparece sempre no verão e é quando a galera local e gringa chega para visitar e curtir essa que já foi considerada a praia fluvial mais bonita do mundo.</p>
<p>Só que no <a href="http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,pac-2-tera-investimento-de-r-1-092-trilhao-em-energia,not_11234.htm" target="_blank">II Plano de Aceleração do Crescimento (PAC2),</a> sete barragens estão previstas para serem construídas nesse Tapajós.</p>
<p>Ou seja: depois disso, babau Alter do Chão.</p>
<p>Viva o &#8216;pogréssio&#8217;, né mesmo?</p>
<p><em>pêésse: as fotos e as informações são da paraense e defensora de direitos humanos Roberta Amanajás, que já teve a oportunidade de dar um mergulho por lá.</em></p>
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		<title>TV Brasil não entrevista todos os presidenciáveis e evidencia contradições das mídias públicas</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 20:29:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dusoto e Dasota]]></category>
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		<description><![CDATA[Do  Observatório do Direito à Comunicação
Na primeira eleição para a presidência da sua curta história, a Empresa Brasil de Comunicação buscou distinguir-se da mídia tradicional ao desenvolver e publicizar Plano Editoral especial para o processo. Porém, assim como ocorre nos veículos privados, seis candidatos à Presidência da República não encontram espaço para apresentarem suas plataformas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Do  <a href="http://www.direitoacomunicacao.org.br" target="_blank">Observatório do Direito à Comunicação</p>
<p></a>Na primeira eleição para a presidência da sua curta história, a Empresa Brasil de Comunicação buscou distinguir-se da mídia tradicional ao desenvolver e publicizar Plano Editoral especial para o processo. Porém, assim como ocorre nos veículos privados, seis candidatos à Presidência da República não encontram espaço para apresentarem suas plataformas de forma equivalente aos três melhores posicionados nas pesquisas eleitorais.</p>
<p>As contradições que aproximam a EBC da abordagem tradicional das TVs comerciais começam ainda no Plano Editorial, aprovado pelo Conselho Curador da empresa, mas foram explicitadas com a gravação de entrevistas dos presidenciáveis para o programa 3 a 1, da TV Brasil. Por decisão do Departamento de Jornalismo, foram convidados para as edições especiais do programa apenas Dilma Roussef (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV).</p>
<p>O PSOL, do candidato Plínio de Arruda Sampaio, questionou a escolha da EBC junto ao Tribunal Superior Eleitoral. Para o partido, a TV pública contraria o espírito da lei eleitoral ao não estender o convite a, no mínimo, os candidatos cujos partidos possuem representação no Congresso Nacional. Este é o critério estabelecido pela lei para a realização de debates eleitorais.</p>
<p>O TSE negou o pedido de liminar e o 3 a 1 foi ao ar entre quarta-feira e sexta-feira (21 a 23). Para o ministro Henrique Neves, não se pode obrigar emissoras de rádio e TV a entrevistar os candidatos. Neves interpreta como válido o critério jornalístico de que o espaço dedicado a cada candidato seja proporcional ao seu desempenho em pesquisas eleitorais.</p>
<p>O PSOL divulgou o texto de carta enviada aos membros do Conselho Curador da EBC em que afirma que a lei eleitoral tenta “preservar a pluralidade de pontos de vista no processo democrático” com o critério da representação no Congresso e que este “princípio, especialmente em uma emissora pública, deveria ser estendido ao conjunto da cobertura jornalistica, pois é este, sem dúvida, o espírito da legislação eleitoral”.</p>
<p>A carta também questiona o manual, proposto pela direção da EBC e aprovado pelo Conselho Curador, apontando o contra-senso de considerar como critério a competitividade do candidato e desconsiderar o fato de ser, justamente, a cobertura da mídia um fator para que este possa expor suas propostas ao conjunto da população. &#8220;Como poderia um candidato se tornar &#8216;competitivo&#8217; em uma posição de invisibilidade nos veículos de comunicação públicos e privados?&#8221;, questiona o partido.</p>
<p><strong>Emissoras públicas</strong></p>
<p>A exclusão dos candidatos que não aparecem nos primeiros lugares nas pesquisas eleitorais é prática que se alastra entre as emissoras públicas. O candidato Plínio de Arruda Sampaio reclama ter recebido também tratamento desproporcional da TV Cultura de São Paulo. De acordo com a assessoria do candidato, o candidato do PSOL foi convidado a participar da série de entrevistas com os candidatos no Roda Viva, caso abdicasse ficar de fora de debate organizado pelo portal UOL e Folha de S. Paulo, que também ia ser transmitido na TV pública paulista. Como o PSOL não aceitou o acordo, a parceria da TV Cultura e Uol não vingou. Para a candidatura de Plínio, esse caso denota promiscuidade na relação entre o público e privado.</p>
<p>Já as regras estabelecidas pela EBC são amplificadas através das emissoras estaduais da Rede Pública Nacional de Televisão. O Plano Editorial da EBC também é seguido pelas TVs associadas. A presidente da Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), Regina Lima, lembra que as TVs vinculadas aos governos estaduais recebem os manuais da EBC como guia para cobertura eleitoral, além de serem obrigadas pela legislação a retirarem qualquer propaganda vinculada ao projeto do mandatários do poder executivo.</p>
<p><strong>Plano editorial</strong></p>
<p>As contradições que aproximam a EBC da abordagem tradicional das Tv&#8217;s comerciais começam ainda no Plano Editorial, quando os Telejornais e Radiojornais são orientados a dar: “Tratamento isônomico apenas aos candidatos realmente competitivos, segundo o resultado das pesquisas e expressão política de suas das coligações, registrando a movimentação dos candidatos &#8216;nanicos&#8217; quandro produzirem atos e fatos merecedores de registro&#8221;.</p>
<p>O documento ressalta abordagem complementar ao conjunto dos veículos nacionais com ênfase na pluralidade e criação de oportunidades de debates e discussão para o eleitor formar sua própria opinião. Pra isso, as diretrizes da EBC apontam cobertura prioritariamente temática, espaço para as eleições legislativas, isonomia ao tratar os candidatos e não adoção das pesquisas para pautar o noticiário.</p>
<p>Nas TVs comerciais de sinal aberto, além da Record News, que fará retransmissão das sabatinas com os nove candidatos do portal R7, a MTV também inova com a presença de todo os candidatos num debate. SBT, Record, Band e Globo fazem cobertura tradicional. Reportagens diárias com ênfase nos três candidatos bem posicionados nas pesquisas e debates com os quatro com representação na Câmara Federal. No caso do SBT, o debate para presidência só ocorre se houver segundo turno.</p>
<p><strong>PSTU e PRTB</strong></p>
<p>A candidatura de Zé Maria (PSTU) lembra que teve contato recente com a TV Brasil nos bastidores da sabatina do portal R7, que será retransmitido na Record News. Na ocasião, a TV Brasil pegou os contatos do candidato e ficou de marcar uma entrevista. Fora isso, não fez qualquer menção especial aos veículos da EBC. Quanto aos debates, o PSTU ficará de fora por não ter nenhum parlamentar na Câmara Federal. A assessoria de Zé Maria ressalta que a cobertura dos meios de comunicação reflete o domínio do poder econômico e que do ponto de vista histórico a internet é a que propicia maior espaço a plataforma.</p>
<p>O candidato a presidência Levy Fidelix (PRTB) ainda não teve qualquer contato com a TV Brasil, segundo a assessoria. Levy já atuou como apresentador de TV e diretor de criação em agências de publicidade e devido a experiência aposta num canal direto com o eleitor: programa de tevê nas segundas e sextas via internet. Por enquanto o programa está fora do ar porque a legislação não permite a transmissão via site do PRTB e o processo de migração do site ainda está em curso.</p>
<p>A candidatura de Levy Fidelix encara como dúbia a mini-reforma eleitoral para internet: se por um lado, ampliou as possibilidades de relação com o eleitor, por outro continuou a favorecer as principais candidaturas, em especial nos grandes portais. O Yahoo, Msn, IG e Terra, por exemplo, vão realizar debate em conjunto apenas com os três candidatos mais bem posicionados nas pesquisas. O mesmo ocorre com o UOL, que será retransmitido por mais 14 sites pelo país.</p>
<p><strong>Limites</strong></p>
<p>O professor aposentado da Universidade de Brasília (UNB) e articulista da Carta Maior, Vinício Artur de Lima, defende que a Tv Pública não tem razão de existir, caso não caminhe pra modelo distinto da mídia privada. “A mídia pública só se justifica como alternativa de qualidade. Cobrindo o que não é coberto, oferecendo o equilíbrio”, diz. Porém o professor evitou discutir o caso da EBC por não estar realizando um acompanhamento sistemático das eleições 2010.</p>
<p>Lima tenta se colocar na posição de chefe de reportagem ou editor da Tv pública, afim de construir mecanismos distintos para a cobertura eleitoral: &#8216;Deve ser um problema. É muito complicado para qualquer meio ter condições profissionais para fazer a mesma cobertura dos candidatos. Não tem como oferecer o mesmo tempo para todos. Mas deve haver um esforço deliberado para cobrir os pequenos candidatos”.</p>
<p>A influência dos veículos tradicionais na agenda política nacional está diminuindo para Vinício. “Temos uma sociedade mais organizada e consciente da importância da mídia”, comenta. O professor atesta que ao contrário da década de 1980, quando a principal fonte de informação era a tevê, hoje a internet ajuda a dispersar tais fontes. A grande procura o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas é um exemplo citado por Lima para ressaltar a influência da web.</p>
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		<title>Um tapinha em criança dói. E por muito tempo</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 19:22:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Leonardo Sakamoto, em seu blog
Pesquisa Datafolha divulgada hoje mostra que 74% dos homens e 69% das mulheres já apanharam dos pais e que 69% das mães e 44% dos pais admitiram ter batido nos seus filhos. Isso explica o fato de 54% dos entrevistados serem contra a lei proposta do governo federal que proíbe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Leonardo Sakamoto, <a href="http://blogdosakamoto.com.br/2010/07/26/um-tapinha-em-crianca-doi-e-por-muito-tempo/" target="_blank">em seu blog</a></p>
<p>Pesquisa Datafolha divulgada hoje mostra que 74% dos homens e 69% das mulheres já apanharam dos pais e que 69% das mães e 44% dos pais admitiram ter batido nos seus filhos. Isso explica o fato de 54% dos entrevistados serem contra a lei proposta do governo federal que proíbe castigos físicos (socos, palmadas, beliscões, empurrões, chineladas, entre outros) em crianças. Hoje, o Estatuto da Criança e do Adolescente não especifica o que são maus tratos.</p>
<p>Sei que muitos pais que amam seus filhos e são zelosos por sua educação acreditam que uma palmada em determinadas circunstâncias extremas pode ter um efeito simbólico poderoso na educação de uma criança. Muitas vezes, fazendo reportagens sobre direitos da infância, ouvi um complemento explicativo para isso que se repetia como um mantra: “apanhei quando pequeno e isso me mostrou limites, ajudou a formar o caráter que tenho agora”.</p>
<p>A idéia é muito semelhante a “trabalhei quando criança e isso formou meu caráter, portanto sou a favor de criança ter que trabalhar para não ficar fazendo arruaça na rua”. Neste blog, como já disse anteriormente, boa parte dos comentários postados sobre trabalho infantil são maniqueístas: ou a criança tem que ser burro de carga ou vai assaltar nos semáforos – não existe a opção estudar-brincar-crescer. Até entendo que muita gente sinta que sua experiência de superação seja bonita o suficiente para ser copiada pelo seu filho. Mas será que eles não imaginam que o trabalho infantil não precisa ser hereditário? E se “o trabalho liberta”, a “palmada educa”. Não estou dizendo que um ato é igual ao outro, mas é interessante notar que ações envolvendo algum tipo de violência contra crianças tem em si a reprodução de modelos aprendidos.</p>
<p>Educar alguém não é fácil. Eu, por exemplo, conseguia ser uma peste quando criança – portanto agradeço enormemente aos meus pais pela educação que me deram. Mas o ser humano evolui, a sociedade evolui, não precisamos permanecer com aquelas velhas práticas simplesmente porque foram adotadas em nossa infância ou na infância de nossos pais. Romper a inércia é difícil, mas fundamental.</p>
<p>Uma amiga me contou que deu umas palmadas leves em seu filho dia desses, pois havia esgotado o repertório para deixar claro que ele estava extrapolando. Para sua surpresa – e tristeza – foi chamada na escolinha porque o filho, que normalemente é calmo, havia começado a bater em seus colegas. Poderia citar casos de amigos de infância que apanharam muito e hoje são pessoas que não pensam duas vezes antes de ir para uma solução, digamos, mais robusta para os problemas. Mas isso significa que todo mundo que levou palmadas vai virar um serial killer de nível 21 na escala de maldade? Claro que não… xô simplismo!</p>
<p>Dependendo da circunstância e do ambiente em que a criança está inserida, há conseqüências sim para a sua formação, que podem ser inesperadas. No mínimo, fica a pergunta: qual o exemplo de respeito ao diálogo, à tolerância, ao entendimento e a soluções não-violentas estamos dando com o uso desses métodos? Será que realmente não havia outra saída ou não conhecíamos outra alternativa? O quanto estamos sendo os nossos pais e os pais deles e não nós mesmos nesse momento?</p>
<p>Bem, ninguém disse que educar alguém era fácil ou que a tarefa dará certo muitas vezes. Mas podemos optar por um caminho de paz ou de porrada. Este último pode ser até mais simples, mas o outro tende a ser mais alegre e saudável.</p>
<p>Por fim, a sistemática ausência do Estado e a mais sistemática ação de determinados grupos ditos liberais de reduzir a importância da ação estatal ajudou a espalhar cada vez mais aberrações do tipo “o Estado não deve regular nossa vida”. Quando na verdade, leis que criminalizam a violência contra a criança, estão criando regras para garantir, na verdade, mais liberdade e menos dor. Para muita gente, a discussão deveria sair do âmbito das políticas públicas (que existe exatamente para dar apoio a grupos fragilizados) e passaria unicamente para o espaço privado. Pois o Estado tem que se preocupar com coisas mais importantes, como auxiliar o capitalismo brasileiro a se desenvolver serelepe.</p>
<p>Por esse pensamento, leis que garantiram direitos e que dependeram da ação do Estado, mesmo indo contra grupos numericamente relevantes ou economicamente poderosos, nunca teriam sido aprovadas.</p>
<p>Enfim, o debate não se encerra aqui, mas a lei será útil. Infelizmente, muitos de nós só se darão conta disso daqui a uma geração. Que os críticos dela tenham vida longa para ver de perto um mundo que acharam não ser possível criar.</p>
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		<title>As lágrimas de David e o sonho de uma comunidade</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 13:17:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Anternativa FM]]></category>
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		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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		<description><![CDATA[O comunicador David Moreno demorou um pouco para começar o debate sobre direito à comunicação que promovia nos novos estúdios da Rádio Comunitária Alternativa FM, em Engenho Maranguape.
Enquanto apresentava as convidadas, lembrava do esforço de se colocar uma rádio no ar. Das dificuldades que enfrentou nos três meses em que as transmissões foram interrompidas para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/arcafm1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3241" title="arcafm" src="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/arcafm1.jpg" alt="arcafm" width="400" height="153" /></a>O comunicador David Moreno demorou um pouco para começar o debate sobre direito à comunicação que promovia nos novos estúdios da<a href="http://www.bodega.blog.br/nareal/uma-radio-muito-da-rocheda/" target="_blank"> Rádio Comunitária Alternativa FM, em Engenho Maranguape.</a></p>
<p>Enquanto apresentava as convidadas, lembrava do esforço de se colocar uma rádio no ar. Das dificuldades que enfrentou nos três meses em que as transmissões foram interrompidas para que a emissora ganhasse uma antessala, um tratamento sonoro de melhor qualidade, uma nova pintura. Com dinheiro arrecadado aqui e ali e com o suor de gente como o pedreiro Luiz Carlos, que não ganhou nenhum monetário tostão pelo trabalho.</p>
<p>Do aquário onde controla a mesa de som, David via a turma chegando para acompanhar o grande momento de perto. Vinha o cantor Carlos Adriano, a garotada que aprende flauta na escola Nelson Ferreira, os MCs Paulinho, Pezão e Buiú. Os colegas de rádio Rubem Lira, Flávio Baresy, Marconi Resenha, o produtor Salada, o multiartista Noúr. Tantos outros e outras.</p>
<p>Todo mundo ansioso para novamente ter acesso ao microfone da rádio mais ouvida da localidade. Duas vezes, David respirou fundo e impediu as lágrimas de escorrerem sobre seu rosto. Na terceira, não segurou a emoção e chorou no ar. Acompanhado pelo companheiro Júnior Bezerra, que acompanhava tudo com câmera em punho, soltou uma vinheta que explicava os procedimentos para a aposentadoria. Chorou mais um pouco.</p>
<p>O &#8220;deslise&#8221; emotivo deixa clara a identidade da Alternativa.</p>
<p>Uma rádio sem ouvintes, mas com falantes. Uma mídia social pré-orkut que, há seis anos, opera sem as devidas garantias políticas e financeiras que caberiam ao estado brasileiro. Sem autorização formal do Ministério das Comunicações para funcionar, é legitimada pela força de uma comunidade que recusa-se a ficar calada.</p>
<p>Durante o domingo de reinauguração, não foram poucas as pessoas que prestigiaram a estação que ocupa (no melhor sentido da palavra) o canal 98.1 nas proximidades do Engenho. Artistas, estudantes e professores do bairro, representantes de entidades da sociedade civil, militantes de direitos humanos, representantes do poder público e até um simpático tenente-coronel da PM que aceitou o convite para falar de segurança pública &#8211; e voltou para casa com uma lista de sugestões para o policiamento da área.</p>
<p>Com ou sem a formalização da outorga, a <a href="http://www.arcafm.zip.net" target="_blank">Alternativa </a>está mais viva do que nunca, com seus microfones abertos e uma vontade danada de agregar também um projeto de TV Comunitária. No que depender da força de vontade da turma de Engenho Maranguape, desconfio que não vai demorar muito.</p>
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		<title>Um olhar sobre as radcom</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 11:44:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Gajop é uma das organizações não governamentais de mais gabaritadas do Recife. Aqui, têm uma atuação relevante nos estudos sobre juventude, educação e violência, além de serem referência nacional no acesso aos mecanismos internacionais de garantia de direitos. Nos últimos meses, a turma de lá, junto com grupos de jovens da cidade, elaboraram um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/radcom-gajop1.png"><img class="alignnone size-full wp-image-3217" title="radcom gajop" src="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/radcom-gajop1.png" alt="radcom gajop" width="400" height="184" /></a>O Gajop é uma das organizações não governamentais de mais gabaritadas do Recife. Aqui, têm uma atuação relevante nos estudos sobre juventude, educação e violência, além de serem referência nacional no acesso aos mecanismos internacionais de garantia de direitos. Nos últimos meses, a turma de lá, junto com grupos de jovens da cidade, elaboraram um estudo sobre a situação das rádios comunitárias da Região Metropolitana. Onde estão, o que tocam, como se sustentam essas rádios? Que desafios encontram no dia a dia para manterem-se no ar?</p>
<p>Tive a felicidade de ter sido convidado para escrever um artigo na publicação na publicação &#8220;Rádios Comunitárias: avanços ou negação do direito humano à comunicação&#8221;, que será lançada nesta quarta-feira, dia 15 de julho, na Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco &#8211; ali próximo ao Parque 13 de maio. Para marcar o momento, haverá um debate sobre a situação das rádios e sobre o próprio direito. A conversa começa às 14h.</p>
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		<title>As portas em que bater: desvendando os mecanismos de controle social dos meios de comunicação em Pernambuco</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Jul 2010 12:53:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>

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		<description><![CDATA[Se você souber que tem um açougue vendendo carne estragada, sabe que pode reclamar na vigilância sanitária.
Se o avião atrasou, a Anac é a agência responsável por receber sua denúncia e algumas aeroportos têm até juizados especiais para resolver sua pendenga.
Se a escola não tá legal, temos o conselho de educação, as secretarias municipais e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se você souber que tem um açougue vendendo carne estragada, sabe que pode reclamar na vigilância sanitária.</p>
<p>Se o avião atrasou, a Anac é a agência responsável por receber sua denúncia e algumas aeroportos têm até juizados especiais para resolver sua pendenga.</p>
<p>Se a escola não tá legal, temos o conselho de educação, as secretarias municipais e estaduais, o próprio Ministério para dar um jeito nisso.</p>
<p>Se você levar um cacete da polícia, pode ir nas ouvidorias e corregedorias para prestar queixa.</p>
<p>Se a companhia de eletricidade anda farrapando, cobrando a mais e trabalhando de menos, os juizados do consumidor e a própria Agência Nacional de Energia Elétrica é a última instância a se recorrer.</p>
<p>E se uma rádio não faz direito o seu serviço. Se uma emissora de televisão falha em cumprir o dever público de bem informar. Se o conteúdo de algum meio de comunicação promove o preconceito ou incita a violência? Se tem mais propaganda do que deveria? Se expõe de maneira vexatória crianças e adolescentes?</p>
<p>São perguntas difíceis de responder e que a gente começa a tentar desvendar. Um esforço nesse sentido é a roda de diálogo que se realiza nesta <strong>quinta-feira, dia 8 de julho</strong>, no <a href="http://www.cclf.org.br" target="_blank">Centro de Cultura Luiz Freire</a>, sobre o controle social dos meios de comunicação em Pernambuco. Nesse momento, o CCLF vai divulgar uma pesquisa em que tentou descobrir quais são os mecanismos de controle que existem (ou que deveriam existir) no estado para que cidadãos e cidadãs possam exigir seu direito à comunicação.</p>
<p>A conversa começa às<strong> 17h.</strong> Vamo nessa?</p>
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		<title>A hora de (começar a) dar uma força</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 12:34:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[NaReal]]></category>
		<category><![CDATA[chuva]]></category>
		<category><![CDATA[doações]]></category>
		<category><![CDATA[solidariedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos últimos dias tenho recebido fotos e relatos os mais tristes possíveis.
Alguns vêm da Zona da Mata pernambucana, através principalmente do meu amigo Bruno Fontes, repórter de televisão que está tendo a triste oportunidade de acompanhar a calamidade causada pela chuva especialmente em cidades como Palmares. Lá o cenário parece o de uma guerra. Casas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/palmeira.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3192" title="palmeira" src="http://www.bodega.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/palmeira.jpg" alt="palmeira" width="400" height="186" /></a>Nos últimos dias tenho recebido fotos e relatos os mais tristes possíveis.</p>
<p>Alguns vêm da Zona da Mata pernambucana, através principalmente do meu amigo Bruno Fontes, repórter de televisão que está tendo a triste oportunidade de acompanhar a calamidade causada pela chuva especialmente em cidades como Palmares. Lá o cenário parece o de uma guerra. Casas destruídas, ruas vazias, lama para todo lado. Pessoas mortas.</p>
<p>Não são diferentes as notícias que chegam do interior alagoano. Minhas amigas de Palmeira dos Índios (que me mandaram a foto que ilustra esse post) dizem que em alguns municípios da região mais da metade da população está desabrigada. Baixo astral total.</p>
<p>Nessas horas de profundo desespero a gente também vê a semente da solidariedade batendo forte. Tenho acompanhado, especialmente pelo twitter, uma mobilização incrível em busca de donativos. Água potável, roupas, colchões e roupas é o que mais se precisa. Claro, brinquedos para as crianças também são muito importantes.</p>
<p>Diversas entidades da sociedade civil e dos diferentes governos se organizam. Disponibilizam galpões e transporte. Dá pra perceber pessoas que, pela primeira vez na vida, se sensibilizam pela desgraça dos outros agora tão perto. Que liga para os parentes, que organiza doações. Que sente-se mais humano e mais humana numa hora em que percebe a importância de sua colaboração.</p>
<p>Aqui, no meu canto, já separo minhas doações e consulto a <a href="http://www.asfaltoliso.com.br/donativos/alagoas-e-pernambuco/" target="_blank">internet para saber onde posso deixá-las</a>.</p>
<p>E torço muito para que esse movimento não acabe quando a chuva for embora.</p>
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		<title>Papo sobre comunicação, na UFPE, sexta-feira, dia 18</title>
		<link>http://www.bodega.blog.br/nareal/papo-sobre-comunicacao-na-ufpe-sexta-feira-dia-18/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Jun 2010 19:20:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[NaReal]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[seminário]]></category>
		<category><![CDATA[UFPE]]></category>

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		<description><![CDATA[Direto de Riocife, já tou estou reservando meu barquinho pra estar na manhã desta sexta-feira (18/06) com o pessoal da Universidade Federal de Pernambuco.  Vou lá participar da Palestra Comunicação e Direitos Humanos, que começa às 10h30 no Auditório 2 do Centro de Artes e Comunicação. Quem quiser ir trocar essa ideia, tem que levar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Direto de Riocife, já tou estou reservando meu barquinho pra estar na manhã desta sexta-feira (18/06) com o pessoal da Universidade Federal de Pernambuco.  Vou lá participar da Palestra Comunicação e Direitos Humanos, que começa às 10h30 no Auditório 2 do Centro de Artes e Comunicação. Quem quiser ir trocar essa ideia, tem que levar 1 kg de alimento não-perecível, que serão doados ao Grupo Viva Rachid, uma ONG supimpa que atende crianças com HIV/ Aids no Recife. Se você está pensando em levar sal, deixe de sacanagem. Sal não pode. É no mínimo farinha, viu?</p>
<p>Quem está organizando a parada é a turma da disciplina Legislação e Ética do Radialismo, do curso Rádio e TV e, além desse bodegueiro, também debatem o historiador Marcos Mondaini,  da UFPE  e Ana Veloso, que entre outras (muitas) coisas é a mais recente conselheira da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).</p>
<p>Pelo que eu tou percebendo nas trocas de imeius, o papo vai ser bem abrangente. Vamos falar de Confecom, de comunicação pública, de violações de direitos humanos nos meios de comunicação e de muitos etecéteras.</p>
<p>Eu tenho pra mim que ainda dá pra você se inscrever pelo inscricoes.cdh@gmail.com As vagas são limitadas.</p>
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		<title>Manifesto pela “liberdade de imprensa”</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Jun 2010 11:27:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dusoto e Dasota]]></category>
		<category><![CDATA[NaReal]]></category>
		<category><![CDATA[direito à comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Idelber Avelar, publicado originalmente pela Agência Carta Maior:
1. A irrestrita liberdade de imprensa de que se goza hoje no Brasil deve ser defendida por todos os brasileiros, independente de sua posição política. Essa liberdade se caracteriza pela ausência de censura prévia do Poder Executivo sobre o conteúdo daquilo que se diz, escreve ou publica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Idelber Avelar, publicado originalmente pela Agência Carta Maior:</p>
<p>1. A irrestrita liberdade de imprensa de que se goza hoje no Brasil deve ser defendida por todos os brasileiros, independente de sua posição política. Essa liberdade se caracteriza pela ausência de censura prévia do Poder Executivo sobre o conteúdo daquilo que se diz, escreve ou publica no país. Literalmente qualquer coisa pode ser dita sem impedimento prévio no Brasil, e a mastodôntica coleção de mentiras, injúrias, calúnias, difamações, distorções e manipulações veiculadas regularmente por Veja, Globo, Folha, Estadão, Zero Hora e outros oferece a prova cabal de que vivemos em pleno exercício desta liberdade.</p>
<p>2. Não há democracia em que a ausência de censura prévia sobre o dizer se confunda com a ausência da possibilidade de responsabilização (inclusive penal) posterior ao dito. Muitos brasileiros, ainda escaldados pelas ditaduras, confundem com “censura” qualquer reclamo de responsabilização sobre o dito. Uns poucos brasileiros ligados à grande mídia manipulam de má fé essa confusão em benefício próprio. Na verdade, todas as democracias que asseguram a plena liberdade de expressão (a total ausência de censura prévia) possuem em comum, em seu arcabouço jurídico, alguma forma de penalização sobre o difamar e o caluniar. Essas leis são parte do que garante a plena liberdade de expressão. O problema no Brasil jamais foi a existência delas. O problema no Brasil é que só os poderosos têm podido recorrer à justiça evocando-as, e em geral para silenciar vozes discordantes. As reais vítimas da difamação dos grupos de mídia têm tido acesso quase nulo à reparação juridical.</p>
<p>3. A liberdade de imprensa não está realizada em todo o seu potencial se apenas meia dúzia de famílias dela usufruem de forma massiva. O fato é óbvio, mas, nos debates sobre o assunto, o óbvio com frequência clama por ser reiterado: a liberdade de imprensa estará tanto mais realizada quanto mais numerosos forem os grupos sociais com acesso a veículos que os representem; mais amplo for o leque de discursos acerca de cada tema; mais diversificados forem os pontos de vista em condições de encontrar expressão, entendendo-se que essas condições incluem não só a liberdade de dizer, mas também o acesso aos meios materiais que tornam possível a circulação do dito. Neste sentido, o grande obstáculo para a plena democratização da imprensa no Brasil (que avançou em função das novas tecnologias e algumas políticas do governo Lula) é justamente a mídia monopolista das famiglias, que se agarram aos seus velhos privilégios com enraivado, baboso rancor.</p>
<p>4. Não há liberdade plena de imprensa sem direito de resposta, o direito de expressão mais desrespeitado, historicamente, no Brasil. Tão fundamental é ele para a liberdade de imprensa que não faltariam teóricos do Direito alinhados com a tese de que se trata de direito antropologicamente universal, comparável à legítima defesa. Poucos blogueiros independentes, depois de publicar texto enfocado em outrem, negariam espaço comparável para a resposta do citado. No entanto, vivemos num país cujo maior jornal publica ficha policial falsa, adulterada, com falsa acusação, sobre o passado de uma ministra, e nem mesmo ela consegue exercer seu direito de resposta. Caso ela tivesse cometido o erro político de buscar judicialmente o exercício desse direito, teria sido insuportável a gritaria histérica dos funcionários das famiglias contra uma inexistente “censura”. É preciso que cada vez mais a sociedade civil diga a esses grupos de mídia: vocês não têm autoridade moral para falar em liberdade de imprensa nenhuma, pois apoiaram a instalação dos regimes que mais atentaram contra ela, além de que não a exercem em seu próprio quintal, negando sempre o espaço de resposta a quem atacam. A Folha chegou ao cúmulo de publicar um texto que lançava lama sobre dois de seus próprios jornalistas, qualificando de “delinquência” uma reportagem feita por eles, sem que os profissionais pudessem exercer seu direito de resposta. Pense bem, leitor: essa turminha tem cara de guardiã da liberdade de imprensa?</p>
<p>5. A veiculação de sentença penal condenatória acerca de crime contra a honra cometido pelos grupos de mídia é um direito do público leitor/espectador/ouvinte. Especialmente no caso de sentença já transitada em julgado, é básico o direito do leitor saber que a justiça decidiu que naquele espaço foi cometido um crime contra a imagem de alguém. No entanto, até a data de produção desta coluna (03 de maio), continuam valendo as perguntas: como a Folha de São Paulo tem a cara de pau de não veicular a notícia de que foi condenada em definitivo por crime contra Luis Favre? Como a Zero Hora tem a cara de pau de não avisar ao leitor que se confirmou sua condenação por crime contra uma desembargadora?</p>
<p>6. A discussão democrática sobre a renovação (ou não) das concessões públicas a rádios e TVs não é contraditória com a liberdade de imprensa; pelo contrário, é parte de seu pleno exercício. Há uma razão pela qual a liberdade de que se imprima qualquer coisa é juridicamente distinta da autorização a que se transmita TV ou rádio em sinal emprestado pelo poder público. Só por ignorância ou má fé pode se comparar uma recusa do Estado a renovar uma concessão de TV ao ato de fechar um jornal (recordando que a má fé pode ser ignorante, e com frequência o é nestes casos). No Brasil, a discussão democrática sobre as concessões é de particular importância no caso do único grande império de mídia que sobrevive com inegável capilaridade e poder de fogo, o da famiglia Marinho, de tão nebulosa história.</p>
<p>7. A liberdade de imprensa inclui, como componente essencial e inalienável, a liberdade de exibir, ridicularizar, parodiar e pastichar as gafes, mentiras, barrigas e distorções veiculadas pela própria imprensa. Hoje, no Brasil, nove de cada dez gritinhos histéricos dos patrões e funcionários da grande mídia sobre um suposto cerceamento de sua liberdade de imprensa referem-se única e exclusivamente ao exercício dessa mesma liberdade, só que agora por leitores e ex-leitores, cujo direito à expressão essa mídia jamais defendeu, sequer com um pio.</p>
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		<title>Um quase dia. De quase paz.</title>
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		<pubDate>Mon, 31 May 2010 19:36:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ivan Moraes Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dusoto e Dasota]]></category>
		<category><![CDATA[NaReal]]></category>
		<category><![CDATA[Flotilha da Liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>

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		<description><![CDATA[Carta de Maria Fernanda Vomero
Queridos amigos,
Ainda em estado de choque e triste, muito triste, pelo ataque israelense à frota internacional que levava ajuda humanitária a Gaza, escrevo-lhes essas linhas imprecisas e doloridas para partilhar minhas lágrimas e minha preocupação com o mundo que estamos construindo. Estamos aparentemente longe do conflito, mas isso não nos torna [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Carta de Maria Fernanda Vomero</p>
<p>Queridos amigos,</p>
<p>Ainda em estado de choque e triste, muito triste, pelo ataque israelense à frota internacional que levava ajuda humanitária a Gaza, escrevo-lhes essas linhas imprecisas e doloridas para partilhar minhas lágrimas e minha preocupação com o mundo que estamos construindo. Estamos aparentemente longe do conflito, mas isso não nos torna imunes: chacinas, desrespeitos à vida e à dignidade, violações dos direitos humanos e abusos diversos também acontecem do nosso lado, em nosso bairro, em nossa cidade, em nosso Brasil, no continente. Tenho certeza de que muitos de nós contribuímos para a paz em nosso cotidiano e dentro de nossos talentos e possibilidades. Entre o fazer e o não-fazer, fazemos, é certo. Mas será suficiente? Pergunto a mim mesma, antes de tudo.</p>
<p>Muitos de vocês sabem que já estive duas vezes na Cisjordânia (por 16 e 42 dias, respectivamente) e em Israel (por um mês). Embora tenha conhecido radicais dos dois lados, também convivi com gente idealista, romântica, sonhadora, batalhadora, trabalhadora&#8230; &#8212; em suma, gente como a gente. Fiz muitos amigos, especialmente do lado palestino. Ouvi muitas histórias. Me apaixonei. Chorei. Filmei algo: entrevistas, imagens doloridas, paisagens inesquecíveis. Algumas dessas cenas me assustam até hoje: estou no centro antigo de Hebron, onde palestinos &#8220;convivem&#8221; (entre muitíssimas aspas) com colonos judeus radicais, e um grupo de jovens soldados israelenses aponta suas armas para mim, porque carrego uma pequena videocâmera. Puxa. Graças à indicação de uma amiga (Márcia Beatriz), cheguei ao Freedom Theatre, espaço artístico onde jovens do campo de refugiados de Jenin podem se exprimir livremente, principalmente por meio do teatro (escrevi um post quando passei por lá para o site <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/blog/saia-pelo-mundo/2008/06/sonhar-e-preciso-sempre/" target="_blank">http://viajeaqui.abril.com.br/blog/saia-pelo-mundo/2008/06/sonhar-e-preciso-sempre/</a>). Enfim, o conflito também deixou marcas em mim. Não saí da Palestina, em 2008, rumo à Jordânia, com certezas de que a situação iria melhorar, que a região iria encontrar um equilíbrio pacífico ou derrubar os muros e as diferenças entre os povos. Não. Mas saí de lá esperançosa. Afinal, a confiança no ser humano é a última que deve morrer.</p>
<p>Em 2009, quando passei por Brindisi, Itália, fui convidada pelo pessoal da Emergency para participar do lançamento de um livro de Vittorio Arrigone, um jornalista italiano que passou um ano em Gaza. Eu e outros dois convidados (ambos médicos italianos) daríamos nosso depoimento a respeito da experiência que tivemos em terras palestinas. Contei três histórias lá &#8212; a de Heba, uma jovem mãe do Dheishe Camp que já sabe o futuro de seus filhos; a de Imah, a quase-mulher-bomba de 28 anos na época, que passou quatro anos na prisão israelense quando seu cinturão de explosivos foi interceptado; e a de Ahmad, do Freedom Theatre, o jovem ator que sonhava poder dizer ao mundo: &#8220;Não sou terrorista, sou um artista.&#8221; Lembro-me deles hoje. E o italiano Vittorio, na noite do lançamento, disse que talvez voltasse a Gaza. E me convidou para me juntar ao grupo&#8230;</p>
<p>Há poucos dias, Jonatan, um enfermeiro judeu sueco (da mesma idade que eu), que trabalha no Freedom Theatre, mandou uma mensagem dizendo que iria zarpar com a frota humanitária. Jonatan já esteve até na Tanzânia e morou em Israel por um tempo. Para ele, o conflito é menos sobre dois povos de distintas religiões mas mesma origem étnica ancestral e muito mais uma questão de poder. Não é judeu na Palestina porque está contra seu sangue ou seu povo, não. É um judeu na Palestina porque acredita na paz. E está dando sua contribuição&#8230;</p>
<p>As notícias, por enquanto, são de dez ativistas mortos no ataque. Espero que Jonatan e Vittorio não estejam entre eles. Mas essas dez mortes já doem. E muito.</p>
<p>Fico desiludida porque hoje, mais uma vez, foi um quase um dia de paz&#8230; Prevaleceu a reação bélica e assustada, a intransigência, a incompreensão. Que provavelmente não reflete o que a maioria do povo israelense pensa&#8230; E olhando para dentro agora: num grau bem diminuto e diminutivo, será que também nós não semeamos algumas minúsculas belicosidades, sob forma de incompreensões ou agressividades, hoje, ontem, anteontem? Pergunto, sobretudo, para mim mesma.</p>
<p>Sonho com o momento em que nossos dias sejam plenos de paz, sejam inteiros e verdadeiros. Sejam pacíficos, de fato.<br />
Estou disponível para ajudar a construi-los. E muito convicta disso.</p>
<p>Beijo grande e carinhoso, de um coração ainda entristecido,<br />
Maria Fernanda</p>
<p>P.S.: Dois amigos, um descendente de judeus e outro, de libaneses, participam da coletânea de contos &#8220;Primos&#8221;, recém-lançada pela Record. A ideia foi reunir contistas de ascendência judaica ou árabe numa mesma obra. Uma bela iniciativa de, ao menos na literatura e pelas mãos de escritores brasileiros, a vida ser reinventada ou recontada de forma digna e pacífica.</p>
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