rodolfoEu nem sabia que a história era interessante.

Mas depois que saiu aqui e aqui, tenho que dar a minha versão.

A verdade é que a mesa da gente no Mercado cresceu muito. Éramos só eu e Evandro. Depois Cezar, Rafa, Leo, Dida… Enfim, vinte. Chope chope chope chope. Pisco pisco pisco pisco.

Os garçons, nossos amigos, brincavam. Uns, Colo Colo. Outros, Universidade do Chile (Sport desde pequenos).

Eu já tava meio alegre.

Um ficou na quina da mesa, dizendo que o time chileno ia ganhar da gente na partida de logo mais. “Três a zero”, repetia repetia repetia.

Apertei sua mão. “Aposta?”

Ele tremeu, o que teria sido muito bom.

Mas foi chamar seu mestre. Rodolfo (o da esquerda na foto) é um lorde. Colo colino doente. Apertou minha mão.

“Apostemos uma centolla”.

Eu juro que não sabia que o crustáceo gigantesco custava 50 mil pesos. Muito menos que isso dava quase 200 reais.

“O dinheiro é casado”.

Ali eu não era mais eu. Ali eu era o Sport, Pernambuco, o Nordeste, o Brasil. Não podia correr.

Na mesa, os meninos vibravam como a um gol.

Abri a carteira. Contei o dinheiro. 50 mil. Era tudo que tinha, e foi pra a mão do meu amigo-adversário.

Sport ganhando, como o caranguejo que só existe no Chile e no Alasca. De grátis.

Perdendo, como do mesmo jeito. Pago uma fortuna e tenho uma história pra contar.

Que, aliás, já contei.

centolla1