Mais uma vez milhões de pessoas foram às ruas em São Paulo para mostrar a cara na Parada da Diversidade.

O evento já se transformou numa vedete do turismo local. A noite ferve nos dias antes e depois. Os hotéis comemoram. Os restaurantes bombam. A tevê cobre o colorido, a festa, o carnaval.

O tema esse ano foi “homofobia mata”. Forte e escondido entre as plumas e paetês que ‘ficam melhor na imagem’.

Uma associação de hotéis paulistas diz que vai oferecer um ‘prêmio’ aos estabelecimentos de turismo que tratarem homossexuais, lésbicas, bissexuais e trangêneros com respeito.

Não entendi essa.

Premiar empresas por tratarem seus clientes com respeito?

Pensei que essa era a tônica do trade turístico. E que respeito é o mínimo que se pode oferecer a quem está pagando por uma cama com direito a café-da-manhã.

Proponho que repensem. E que ofereçam multas aos que não tratarem com respeito quem quer que seja.

Proponho também que, além das cores e dos babados e das luzes, que as empresas que explicam o mundo à gente possam se debruçar um pouco sobre os porquês da parada e as demandas do movimento.

Afinal de contas, eles e elas não me parecem pedir demais.

O que perde nossa comunidade quando um par de indivíduos do mesmo sexo passeiam de mãos dadas e trocam beijocas de carinho?

No que é que dói à sociedade ‘deixar’ com que duas pessoas que se amam possam formar uma família ao olhos da lei?

No que dói aplicar direitos iguais (nem mais nem menos) a pessoas que gostam de fazer sexo com outras pessoas do mesmo sexo?

No que perde a sociedade ao permitir que casais do mesmo sexo adotem crianças quando o universo de órfãs esperando adoção continua crescente?

Tem coisa que é tão simples que é complicada.