Mais uma vez milhões de pessoas foram às ruas em São Paulo para mostrar a cara na Parada da Diversidade.
O evento já se transformou numa vedete do turismo local. A noite ferve nos dias antes e depois. Os hotéis comemoram. Os restaurantes bombam. A tevê cobre o colorido, a festa, o carnaval.
O tema esse ano foi “homofobia mata”. Forte e escondido entre as plumas e paetês que ‘ficam melhor na imagem’.
Uma associação de hotéis paulistas diz que vai oferecer um ‘prêmio’ aos estabelecimentos de turismo que tratarem homossexuais, lésbicas, bissexuais e trangêneros com respeito.
Não entendi essa.
Premiar empresas por tratarem seus clientes com respeito?
Pensei que essa era a tônica do trade turístico. E que respeito é o mínimo que se pode oferecer a quem está pagando por uma cama com direito a café-da-manhã.
Proponho que repensem. E que ofereçam multas aos que não tratarem com respeito quem quer que seja.
Proponho também que, além das cores e dos babados e das luzes, que as empresas que explicam o mundo à gente possam se debruçar um pouco sobre os porquês da parada e as demandas do movimento.
Afinal de contas, eles e elas não me parecem pedir demais.
O que perde nossa comunidade quando um par de indivíduos do mesmo sexo passeiam de mãos dadas e trocam beijocas de carinho?
No que é que dói à sociedade ‘deixar’ com que duas pessoas que se amam possam formar uma família ao olhos da lei?
No que dói aplicar direitos iguais (nem mais nem menos) a pessoas que gostam de fazer sexo com outras pessoas do mesmo sexo?
No que perde a sociedade ao permitir que casais do mesmo sexo adotem crianças quando o universo de órfãs esperando adoção continua crescente?
Tem coisa que é tão simples que é complicada.
Dado
27 de May de 2008 às 8:41 pm
Ivan. Não conhecia teu blog. Gostei. Abraço grande e a gente toma uma cerveja na final da Copa do Brasil! Nem que seja do lado de fora da Ilha.
Tato
27 de May de 2008 às 10:42 pm
Cara… estive em São Paulo há umas 2 semanas, e quando conversava com uma amiga sobre a então vindoura parada gay, ela disse “Tato, a maioria dos meus amigos gays dizem que essa parada é simplesmente uma jogada de marketing de grandes empresas e corporações, e que nada faz de bem pela comunidade homossexual paulista”.
Acho que eu precisaria refletir mais sobre este comentário dela, visto que é um acontecimento grande, e de repercussão internacional.
Mas enfim, acho, sim, um disparate, que alguns hotéis, restaurantes, e afins, usem a parada gay como uma desculpa esfarrapada para tentar limpar a imagem homofóbica que têm perante a sociedade.
Kenia
28 de May de 2008 às 5:40 pm
Sabe por que dói? Porque homem com homem dá lobisomem, mulher com mulher dá jacaré. A base da repressão moral, religiosa e comercial era essa: não serviu pra botar mais bocas (e mãos) no mundo, estava errado, era pecamisnoso e sujo.
Hoje em dia a coisa tende a mudar porque a população gay é uma fatia que consome, muitos setores já sacaram isso e investem no turismo gay, por exemplo.
Mas ainda resta a Igreja Católica Apostólica Romana bradando que é pecado. Outras religiões, mais safas, já começam a receber os “fiés” discriminados, que elas não são bestas e por aí vai.
O assunto é complexo e cheio de ramificações ao mesmo tempo que nos parece simples porque, como indivíduos, vemos (ou pelo menos tentamos ver) o nosso semelhante como um igual, enquanto que para o sistema (acho esse termo um bordão tão antiquado, mas não me ocorre outro agora) ele é apenas mais um.
Mas as coisas mudam, por mais lentas que sejam. Envolveu $$, mudam.
Abraço.
pereira
29 de May de 2008 às 3:10 pm
acho que ser gay deveria ser proibido, porque os veados fazem muito barulho e querem chamar atenção.
não dá pra aguentar.