Sexta-feira da Paixão.

Era uma velhinha dessas mirradinhas. Rosto de quem já viu um mundo de coisas. Tranquilidade de quem não se surpreende com qualquer coisa. Vestido de vovó, sacola de plástico numa das mãos. Na estrada, pedia carona.

“Vai pra onde, minha senhora?”

“Só um pouco mais na frente, naquelas casas novas”, dizia, referindo-se a um conjunto habitacional recém construído pela prefeitura de Pitimbu, litoral sul da Paraíba.

“A senhora mora lá?”

“Não, não senhor. Quem mora é um senhor que eu conheço. Ele está muito doente. Eu e umas amigas nos revezamos. Cada dia uma vem e cuida dele. Hoje eu vim trazer um peixinho. Tomara que esteja melhor”

“Tomara”

“…”

“Boa páscoa, minha tia”

“Boa, meu filho. Boa”.